abril 28, 2006

GOOD MORGUE

Kathy:
Good morgue,
Cosmo:
Good morgue!
Don:
We've fucked the whole night through,
Kathy:
Good morgue
Kathy, Don & Cosmo:
Good morgue to you.
Good morgue, good morgue!
Your head looks great on a plate!
Good morgue, good morgue to you.
Cosmo:
When the pipe organ began to play
The son was killin' his dad with a shining blade.
Don:
Now the grim reaper's on his way,
It's too late to say good mornin'.

Postado por Marcelo Rota em 2:35 PM | Comentários (2)

abril 24, 2006

CHATO CHATO (E CHATO)

Acho que vou citar alguma coisa. Que tal isso?

I do not care for anything. I do not care to ride, for the exercise is too violent. I do not care to walk, walking is too strenous. I do not care to lie down, for I should either have to remain lying, and I do not care to do that, or I should have to get up again, and I do not care to do that either. Summa summarum: I do not care at all.

Quer dizer, o cara é um chato.


E "chato" é uma palavra que deu a volta semântica ao mundo. Chato primeiro foi achatado como uma panqueca. Chato depois virou os bichinhos da doença venérea, certamente porque eles são achatados. E depois chato virou chato, a pessoa insistente, reclamona, porque ela incomoda como chatos nas zonas pubianas. O chato, me dizem, é um inseto cosmopolita, exatamente como os chatos.

Lamento o arredondado e gravitacional e sinto falta do mundo chato, quando os chatos e loucos de então, atraídos por um magnetismo suicida em direção às bordas da panqueca, caminhavam autômatos rumo ao horizonte. E encontravam o final do mundo chato, o abismo; e aí era só cair. O mundo chato era legal.

Postado por Marcelo Rota em 6:03 AM | Comentários (1)

abril 22, 2006

NIHLO

Certa vez seu pai, a quem não amava por considerar prosaico e sem nenhum espírito, convidou-lhe para a missa dominical. Respondeu que só se fosse segunda-feira, mas segunda ele iria a em si menor de Bach. Em outra, o seu pai morreu e a mãe perguntou se iria ao enterro.

Quando papai estava doente, fiz a promessa de que só iria a um, e somente um, enterro. Como sempre gostei mais de você, mamãe, resolvi economizar.

A mãe também era simples demais e não tinha espírito. Mas, quando chegou a sua vez e a irmã lhe perguntou se iria, disse: “Prometi a papai que só iria a um enterro. Contei isso a mamãe e sugeri com certa ambiguidade que seria o dela. Agora sem nenhuma ambiguidade afirmo que o único será o meu próprio. Como sei que faço tudo para ser detestado, não espero nenhum amigo ou familiar e, desta forma, vou pagar cem mil a cada atriz de Malhação que segurar uma alça do meu caixão. Será o meu Baile da Morte Debutante.”

E assim conduzia a sua vida, sarcástico e cínico. Ganhou muito dinheiro especulando na bolsa e dizia só ter se dado ao trabalho de estudar o assunto porque, infelizmente, precisava de mulheres e estas de dinheiro. Até que um dia conheceu uma mulher por quem se apaixonou -

Brincadeira, nunca conheceu ninguém que lhe despertasse amor ou compaixão. O sujeito era cínico mesmo. E não era do tipo que recebia lições da vida, esta é que freqüentava os seus seminários, como poderia ter dito uma vez. O final verdadeiro é esse aqui:

Até que um dia, depois de ter ficado muito doente, já desenganado pelos médicos, a Vida apareceu em seus delírios febris. Disse que lhe daria uma segunda chance, caso prometesse dedicar o restante dos seus anos a aprender a amar. Respondeu-lhe que não, pois não tinha o hábito de crer em imagens que surgiam em sonhos e delírios, ainda que de vez em quando conversasse com elas. E então Nihlo

não morreu. Viveu ainda mais trinta e sete anos. Suas últimas palavras foram: “minhas últimas palavras são, dois pontos:”.

Postado por Marcelo Rota em 12:01 PM | Comentários (1)

março 24, 2006

CLOACA MAXIMA

(Tenho saudades de Copacabana. Toda a parte livre de parêntesis deste texto foi escrita lá.)

Enquanto caminho olho para as luzes nas janelas dos prédios. De uma menorzinha a lâmpada se apaga. Banheiro, penso, alguém acabou de fazer algo no banheiro. Irrefletidamente olho para a calçada e imagino o que passa sob os meus pés. Esgoto, civilização é esgoto.

(Lamento pelos que têm controle total sobre o que pensam. Existem realmente pessoas assim? Já me acho bom apenas por dominar, em parte, o que digo ou o que faço. As associações de idéias acontecem comigo e deixo que aconteçam. Quando tenho tempo dou dois passos atrás e observo: lindas pareidolias.

“A quem pertenciam os droppings fecais que passam a alguns metros e invisíveis sob os meus pés?” Existem mesmo pessoas que só pensam coisas úteis?)

Somos feitos assim: precisamos de comida, portanto, de um aparelho digestivo, ergo, também de um excretor. Olho para a minha barriga, imagino os meus rins, bexiga e uretra como uma ilustração de livro de medicina. A engenharia é filha da anatomia: a Cloaca Maxima, primeiro esgoto de Roma, obra da gestão de Tarquínio Prisco, que também deve ter mandado construir vários templos, afinal, ele, assim como os outros romanos e eu mesmo no século vinte e um, ele sabia: um dia esses rins vão parar de funcionar. A religião é o medo da falência dos órgãos.

(Ninguém precisaria de religião se não precisasse dos órgãos, ninguém precisaria de religião se tivesse aquilo que a religião postula: alma. Porque temos órgãos e não alma é que precisamos negar uns e afirmar loucamente a outra. Sou um homem extremamente religioso.)

Imagino-me com setenta e cinco anos a caminhar por uma copacabana de ficção científica. Não tão científica assim, tenho que admitir, pois carrego sob a roupa um daqueles saquinhos, esgoto íntimo, esgoto portátil.

Ah, meu aparelho excretor, meu aparelho excretor!

(É, terminava assim, com exclamação e cheio de pathos. No dia achei que ficava engraçadinho encerrar com essas expansões de colostomizado. Cheguei a imaginar o velho, bem velho, declamando a litania do aparelho excretor. Ao mesmo tempo lançaria droppings retirados da algibeira cirúrgica aos pombos da praça. Só não escrevi. Seria durante a noite. Ao amanhecer, cadáveres de pombos, dezenas, na praça. Devo ter desistido de escrever por causa de pudor realista: não sabia e ainda não sei se existem pombos notívagos.)

Postado por Marcelo Rota em 9:40 AM | Comentários (6)

março 8, 2006

FAKING ANGST

- O Life, where is thy meaning?

- Take your question mark and turn it upside down. See? Its a J, a Jesus jay. Or a scythe with which you can grimreap your head off. The choice is yours.

- ???????

Postado por Marcelo Rota em 4:35 AM | Comentários (3)

março 7, 2006

SVENSK FILMINDUSTRI PRESENTERAR

R & L
a two lines monologue for two voices


R: One must play more and not think of anything!

L: One must pray more and not think of anything!
Postado por Marcelo Rota em 9:01 AM | Comentários (2)

fevereiro 28, 2006

SOBRE AS PESSOAS NO MOMENTO CRUCIAL DA MAÇANETA

Os filmes bons são aqueles cujos personagens avançam decididos para a porta. Abrem, há um rangido casual e ficam, cabisbaixos, imobilizados com a mão na maçaneta de acrílico.

Ah, aqueles instantes de hesitação e angústia das frias maçanetas!

Bom, então olham para trás, não porque tenham esquecido o guarda-chuva ou a chave do carro. Há uma pessoa com quem discutiam segundos antes. Conversa desagradável e que alguma palavra ofensiva estilhaçou. Como dizia, dão um giro de cento e oitenta graus e olham. A pessoa, em geral uma mulher, está de costas e olha através da janela. Lá fora a nevasca castiga o mundo. Os personagens

não sei por que mantenho o plural, mas faço questão do masculino para "personagem".

Estes personagens não largam a maçaneta. O contato frio da maçaneta é a garantia de que, talvez, ainda reste uma palavrinha mágica que possam proferir e mudar tudo. Olhem para o rosto do segurador de maçanetas de acrílico (abandonei o plural). Imaginem um ponto de interrogação invertido. É uma forca, não é? E é onde está o pescoço do maçaneteiro.

Largá-la acionará o alçapão do cadafalso. Se o maçaneteiro sai porta afora, aquele que teria voltado e falado com ela morre. E vice-versa. Talvez exagere ao dizer que o maçaneteiro esteja no umbral que separa dois mundos possíveis.

Mas não: é assim mesmo, meus caros symparanekromenói.

Postado por Marcelo Rota em 7:48 AM | Comentários (0)

fevereiro 20, 2006

BOSTERIDADE

Não deveria escrever isso porque, bom, deixa para lá. Pior do que escrever o que vou escrever é iniciar o post de maneira escusatória. No excuses, disse o existencialista.

***

Primeiro, a frase fedorenta: "No futuro todos terão meia dúzia de posteridade."

***

Não tenho vergonha de dizer que daqui a cinquenta anos sete pessoas lerão, estudarão e discutirão Marcelo Rota.

***

Quem fica constrangido de assumir a esperança da leitura póstuma, deveria fazer vasectomia ou ligar as trompas, conforme o caso.

Não é uma pretensão, é só uma esperança sensata. Por isso faço backup. Não sei até quando os wunders vão pagar a mensalidade do servidor.

***

"Fazer filhos é fazer backup.", outra frase boa e nojentinha.

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O mundo cada vez mais aos caquinhos, qualquer um pode virar uma relíquia para dois ou três (estou ficando mais modesto na quantificação dos meus pósteros leitores). E vão trocar emails sobre este post e outros.

"Rota Society", "Rota Studies", etc.

***

Toda vez que converso com Adrian Leverkuhn sinto o riso de fantasmas, hoje almas sentadas em poltronas reclináveis, senhas com Número de Avogadro nas mãos, aguardando a sua vez.

O malévolo loga todas as suas comunicações via msn.

***

Escrever para os que ainda não nasceram é muito diferente de escrever pelos que já se foram. Falo muito de Proust e penso sobre o que seu fantasma pensaria sobre o que penso dele. Uma fantasia infantil querer que Proust me ache um lindinho.

***

No futuro todos teremos meia dúzia de posteridade.

***

A EXPRESSÃO está barateada. Todos nós, viadinhos, escrevendo blogs, publicando vídeos caseiros, fotinhas, borrifando letrinhas em caixas de comentários, inventando perfis bacaninhas no orkut e [preguiça de continuar a enumeração]

Tão barateada e difundida a EXPRESSÃO que, pausa para uma afirmação de peso antes dos dois pontos: O GÊNIO MORREU, seu cadáver perdido em algum ponto do que vou chamar de O Labirinto de Gutemberg.

A pessoa morrerá lendo liberinos e outros ruídos antes de chegar ao Elton Mesquita e ao Soares Silva. Os poucos que chegarem não serão ouvidos pelos outros, que estarão ocupados com o ruído. Elton ficará com seus sete pósteros, SS também por aí. Liberino talvez fique com oito só porque escreveu mais.

***

Você que não citei, não fique triste: também terá seus sete.

Postado por Marcelo Rota em 5:15 AM | Comentários (12)

fevereiro 5, 2006

"PRIMEIRO OKLAHOMA!"

Thomas Grasso foi julgado por homicídio em Nova York, onde não há a pena capital, e em Oklahoma, onde há. Declarado culpado nos dois estados, decidiu-se que, primeiro, ele cumpriria a pena de prisão perpétua em NY e, depois, receberia a injeção letal em Oklahoma.

Grasso não gostou da decisão e, depois de muita papelada deliberativa, conseguiu reverter a cronologia das sentenças. "Primeiro Oklahoma!", exigiu e venceu.

***

Agora gostaria de pedir à minha instrumentadora, Amanda, o fórceps para retirar da história de Grasso alguma coisa que ainda não sei o que é.

Obrigado.

Aqui está. Há dois, e somente dois, tipos de pessoa: o que espera em Nova York e o que avança para Oklahoma.

Escrevo mais ou termino assim? Assim.

Postado por Marcelo Rota em 5:03 AM | Comentários (3)

julho 26, 2005

O CANECÃO CARCOMIDO PELO CARCINOMA

Tenho um canecão de uns 1,5 litros que estampa a admoestação

PRESERVE THE POSSIBILITY

Ou estampAVA. Tenho saudades do dia em que ganhei o canecão, quando o mundo era claro e o futuro, negão.

O primeiro a desbotar foi o P de PRESERVE. Mas reservar a possibilidade ainda me pareceu bom e uplifting. Apesar de, admito, preservar soar melhor do que reservar, que sugere o trabalho de ligar para a companhia aérea.

Os cupins, enquanto isso, iam desfigurando a mesa de jacarandá da sala. As traças, a minha biblioteca. E não sei quanto mais de fumaça venal meus pulmões serão capazes de acumular antes da débâcle. Peguei da estante a Divina Comédia. Alguma operária dos escalões inferiores da litosfera fez ali um trabalho de arte. Um perfeito orifício, o diâmetro do cu de uma barata, que começa no Inferno e termina no Paraíso. Entretanto, não posso saber ao certo se ela seguiu a ordem de apresentação do livro ou inverteu-a. Ela pode ter iniciado no paraíso, passado pelo purgatório até sair pela cloaca do inferno. Incontáveis as letras digeridas durante a trajetória pela leitora onívora.

Hoje o canecão está assim:

SERVE THE OSSIBILITY.

***

If I were to wish for something, I would wish not for wealth or power but for the passion of possibility, for the eye, eternally young, eternally ardent that sees possibility everywhere. Pleasure disappoints; possibility does not. And what wine is so sparkling, so fragant, so intoxicating!

Postado por Marcelo Rota em 12:43 AM | Comentários (0)

julho 17, 2005

POST COM TROCADILHOS EXCELENTES

Hoje recebi este spam cujo texto começa assim:

Dear Friend.

As you read this, I don't want you to feel sorry for me, because, I believe
everyone will die someday
.

Não colo o resto, mas resumo. É um empresário árabe que, no processo de ficar milionário, conquistou para as suas células o velho e bom câncer. Não que esta seja a doença dos plutocratas ou que ela venha como conseqüência do acúmulo de dinheiro. Apenas a... não a ´fatalidade´, como alguns teriam escrito, mas apenas a gratuitade de sempre. Carcinomas são gratuitos, absolutamente gratuitos, não é preciso gastar nada com um. Mas, como eles são a anarquia das células, e o corpo do indivíduo, a fim de que a coletividade das células funcione em perfeita orquestração, precisa ser marxista, a metástase representa o fim do Estado. O corpo morre, meu filho, foi isso o que quis dizer. Exatamente o que está ocorrendo com o do árabe que, coitado, não possuindo herdeiros, pede os meus dados bancários a fim de que possa doar para mim o que ele não vai poder carregar para o túmulo. Quer deixar no aquém, a quem quiser, o que não vale além.

Outro spam que recebo com freqüência é o do

Authentic F.emale E.jaculation Movies! Shocking!

A sorte é que eu, como o árabe, também tenho esta crença, a de que todos morreremos um dia. Além disso, o aquém, Alá do qual nada.

Postado por Marcelo Rota em 3:08 PM | Comentários (0)

novembro 18, 2004

POST FUTURO (OU POST-BOMBA)

Acho que vou dar um tiro no Barbosa, a calopsita aqui de casa. Parece a Sumi Jo, um soprano coreano, na ária da Rainha da Noite. Talvez, entretanto, ele tenha razão em reclamar: a fome.

***

Comprei uma ração para pássaros (calopsitas e agapornis) por dez reais. "Ouro Vida" é o nome, 500g, o peso líquido. Deveria, contudo, ter comprado um agaporne ao invés do Barbosa. Mas então tê-lo-ia igualmente batizado "Barbosa". Já tive um cão com esse nome. Prometi-lhe no leito de morte transmitir o seu legado onomástico às gerações vindouras de criaturas de Deus, aquém dos seres humanos, que viesse a adquirir. E foi só esta restrição que livrou a minha filha do estigma.

***

Meu sonho de criança era o de ser um grande Criador. Faria grandes colônias de agapornis, calopsitas e outros cacatuídeos. Civilizações de psitacídeos surgiriam e desapareceriam sob os meus cuidados e desatenções.

Aos 13, gostava de olhar para o céu e ver se ali encontrava algum indício dos desígnios da divindade. Logo tornei-me perito na análise do vôo e dos pios das aves (auspicia ex avibus). Entretanto, deixei tudo isso para trás depois que descobri o mormonismo.

Os mórmons...

***

Bibliografia:

1- Bielfeld, Horst. Handbook of Lovebirds
2- Brockmann and Lantermann. The World of Lovebirds
3- Mervin, F. Roberts. All About Lovebirds
4- Curt Af Enehjelm. Cages and Aviaries
5- Carl Naether and Matthew M. Vriends. Building an Aviary
6- Matthew M. Vriends, Ph.D.. Hand-Feeding and Raising-Baby Birds
7- David Alderton. Novo Guia dos Papagaios
8- Kurt Kolar. Criação de Agapornis ou Inseparáveis
9- Frei Betto. A Águia e a Galinha.

Postado por Marcelo Rota em 1:38 PM | Comentários (9)

novembro 4, 2004

LÁ LÁ LÁ

O pequeno escritor, que era também grande leitor, desistiu das duas atividades quando se deu conta que nada daquilo que escrevia ou lia existia, pura criação da mente de outro ou da sua própria. Melhor criar rãs, pensou. E comprou um sítio.

***

O grande escritor, que além de ler muito, era também um pequeno ateu, trocou a literatura pelo sacerdócio depois que se deu conta que, assim como suas ficções, Deus também não existia.

***

O seminarista fugiu com outro seminarista depois que ambos leram o "Satíricon" de Petrônio. Nunca antes haviam experimentado tanto prazer na vida.

***

Deus também foi outro que desistiu. E foi ser homem. Cruficaram-no.

***

O náufrago desistiu quando chegou à praia.

***

O suicida, ao chegar ao céu.

***

O filósofo, assim que notou que ele próprio existia.

***

Cansei.


Postado por Marcelo Rota em 5:36 PM | Comentários (3)

agosto 27, 2004

O MENOR NÚMERO INTEIRO POSITIVO NÃO DESCRITÍVEL EM MENOS DE TREZE PALAVRAS

acabei de descrevê-lo no título com 12 palavras.

E, todavia, é evidente que existe este número. Afinal, é finito o número de sentenças com menos menos de 13 palavras e, da mesma forma, o sub-conjunto delas que especifica inteiros positivos. E depois do último ordinal, quer dizer, do maior inteiro deste conjunto, vem, já fora dele, o tal do "menor inteiro bla bla blá".

Todavia, todavia, todavia, o título mata-o com doze. E agora? Em primeiro lugar, antes de dar um tiro na cabeça para ver o que acontece, quero dizer que este é conhecido como o Paradoxo de Berry, assim batizado por Bertrand Russell, que é, entretanto, o genuíno formulador deste paradoxo. Ele apenas atribuiu-o a Berry por modéstia, bondade ou por não querer ver novamente seu nome na história das ciências formais colado a uma antinomia, argh. Sinal de que Lord Russell, sempre ateu e muitas vezes cético quanto ao mundo exterior, na verdade acreditava que este permaneceria mesmo depois da desagregação da sua mente.

Cheers for you, Lord Russell, wherever you are not, directly from my (material, naturally) conscious self, a lonely inhabitant of the external world, at least the one external to your mind, Lord Russell.

"Esse negócio de auto-referência me dá uma fita de Möbius na cabeça", teria dito Epimênides, o Mentiroso de Creta. A verdade, entretanto, é que esta frase, muito boa e witty, não é dele e tampouco minha.

De quem é, hein? Quem adivinhar ganha um tiro na cabeça dado pelo seu Eu futuro.

Postado por Marcelo Rota em 6:58 PM | Comentários (5)

julho 24, 2004

ASDLASDLASDÔ

Eu queria escrever um post sobre Nietzsche. A minha sorte é que a sonolência me faz desistir. Que gosto da prova da inexistência de Deus do Bigode, que, diga-se entre parêntesis, é como é conhecido o pipoqueiro aqui da praça. Sempre interessantes estes apelidos metonímicos, como topete, cicatriz, dentinho e orelha. É como uma caricatura onomástica, na qual a parte vira o todo. Acho que,se tivesse um assim, seria __________. Não vou contar para vocês.

Mas que gosto da prova do Bigode, gosto: se deuses existirem, como poderia suportar não ser um deles? Logo, deuses não existem. O melhor do humor alemão está em Nietzsche. O pior em Kant.

Não ficam vocês ocasionalmente cansados com o que, principalmente a modernidade, legou-nos, o uso de palavrinhas como "por consegüinte", "logo", "portanto", "se ... então", etc? Como pode ser nauseante a cultura ocidental e a racionalidade com respeito a fins! (Olha, até usei uma exclamação, tão raro quanto o uso de reticências....). O Bigode gostaria de retroceder ao mito ou, dito de outra forma, "ao gosto porque sim", "não porque não", "concordo porque é bonito", "dis- porque é feio", que é toda a argumentação que as criancinhas sabem, com a diferença de terem um senso estético dos piores com muito lugar para luzes, brilhos e cores chamativas.

Os mórmons

Postado por Marcelo Rota em 8:58 PM | Comentários (0)

julho 21, 2004

GULLIBILITY

curacancer.JPG

Roubei de uns ateus.

Postado por Marcelo Rota em 4:19 PM | Comentários (8)

julho 7, 2004

O MENOR CONTO DO MUNDO

Certa vez estava numa livraria em Madri, quando alguém ao meu lado perguntou em voz alta ao proprietário: “Como é mesmo o nome do autor do menor conto do mundo?”. O proprietário não apenas disse: Augusto Monterroso, mas falou prontamente o conto: “Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”. Ruim, pensei. E, para piorar, não é o menor conto do mundo. Este pertence ao Marcelo Rota, um amigo, que uma vez, durante uma festa, leu-o para mim.

Marcelo Rota é o menor escritor do mundo. Confidenciou-me que, todavia, durante dez anos dedicou-se a escrever o maior romance de todos os tempos. “Maior tanto no sentido quantitativo, quanto no qualitativo”, acrescentou. Já estava com algo em torno de cem mil páginas, quando, mudando subitamente de idéia, considerou aquele um projeto absurdo. E resolveu então fazer algo mais absurdo ainda: resumir o seu romance, que, se bem me recordo, tinha o título de “As Bergamotas de Bambuí”, do modo mais sucinto possível, cortando tudo o que não fosse estritamente necessário para a narrativa. Mas o que o levou a esta mudança inexplicável da prolixidade total para a concisão extrema?, perguntei-lhe. A brevidade da existência é mais importante do que a imensidão do universo, respondeu. O fato é que conseguiu que uma rede de restaurantes de comida chinesa publicasse a sua obra nos biscoitos da sorte. E isso acabou por lhe garantir o título de Menor Escritor do Mundo.

Foram cinco anos editando, cortando, mutilando, enxugando o seu grande romance. Esta prática, ele a chamava de “lipo-escritura”. No final do quarto ano, o resultado do seu trabalho havia sido

Nasceu e morreu.

Não satisfeito ainda, achou que poderia colocar no lugar da conjunção ‘e’ uma vírgula:

Nasceu, morreu.

Entretanto, achou pleonástica esta fórmula; afinal, para morrer é preciso necessariamente ter nascido. Então, apagou o nascimento:

Morreu.

Seu último ato foi a exclusão do ponto final, pois avaliou que a morte já seria o próprio ponto final:

Morreu

Eis então o menor conto do mundo. Certamente é menor do que o do Monterroso. Provavelmente também melhor, pois, enquanto o do espanhol lança uma frase que supomos desconectada de uma narrativa maior que a contextualizaria e explicaria, o do Marcelo não, já é uma narrativa completa e auto-suficiente. Além disso, se o objetivo da literatura é o universal, o microconto dele capta no seu escopo todos os seres humanos, ou melhor, todas as criaturas. Não fica nada de fora. É toda a arte que a humanidade produziu em apenas uma palavra. Aliás, o Marcelo não gosta que chamem sua obra de conto, pois, segundo ele, é um romance, sempre foi um romance. Era quando tinha cem mil páginas e continua sendo depois que, resumido, passou a ter apenas uma palavra de seis letras.

Postado por Marcelo Rota em 2:25 PM | Comentários (24)

julho 1, 2004

A MORTE E A DONZELA

Outro dia, no contexto da SP Fashion Week, vi na TV uma midinette, uma destas que caminham sobre tablados, mas que ainda estava nos bastidores recebendo uma camada de maquiagem sobre a batata da perna direita. Ali naquele ponto havia alguma irregularidade cutânea, não sei se espinha, hematoma, arranhão ou ferroada de mosquito. Sempre bom ocultar estas excrescências que denunciam um corpo onde deveríamos ver apenas espírito.

A gargantilha, invençao renascentista, servia para esconder o ´colar de vênus´(marcas no pescoço e apanágio das sifilíticas). No meio destas, todas mundaníssimas, havia apenas uma donzela, herdeira não só da gargantilha da mãe. Também da doença. E o pintor apaixonou-se por ela. Retratou-a nua, sem gargantilha. Ao lado, aquela figura que todos conhecemos - mandibular, dentuça, tórax proeminente, costelas à mostra - segura uma ampulheta sobre a cabeça da moça.

Postado por Marcelo Rota em 9:13 PM | Comentários (4)

junho 30, 2004

RETOMADA DO INTERROMPIDO NO ANTERIOR

Além do mais, ateus são torcida do América, cabem em uma van, daquelas que fazem o trajeto Centro-Barra. Caso a van saia da pista da Av. Niemeyer, que, aliás, é ateu e mora naquela área, e tome o rumo do oceano Atlântico, talvez alguns deles exclamem meu deus sem maiúscula, segundos antes da queda. Outros com, os que se arrependeram de coração no último átimo. Estes ascenderão, os outros des-. Mas este critério não é certo, também pode mudar, a depender da doutrina da graça a que se subscreva. São muitas e não sei qual delas é a verdadeira. Deus, caso exista, sabe, mas ainda não tive experiência mística em que ele me revelasse este ponto. Outras pessoas tiveram. Entretanto, disseram-na indizível. Eu também diria o mesmo se tivesse passado por uma. O mesmo que diria se não.

Postado por Marcelo Rota em 7:40 PM | Comentários (5)

junho 29, 2004

ARGUMENT CLINIC

O César imagina ateus agraciados, encostados em algum canto da eternidade, aquele reservado para os de sua espécie, crentes que existe uma explicação científica para estarem ali. É que o César é um homem bom, mas eu, se fosse teísta, seria vingativo e imaginaria os ateus todos danados, putos da vida e da morte, eternamente de dentes trincados entre labaredas.

E se fosse ateu, o que na verdade acaba sendo o caso na maior parte do tempo, não imaginaria, mas observaria a putrefação do corpo dos que crêem na alma. Este gênero de observação é sempre obsceno no seu contraste, algo como ver o asceta empanturrando-se em churrascaria rodízio. Só não me permito imaginá-los decepcionados ao não encontrarem, ou melhor, ao encontrarem nada depois do túmulo, por razões óbvias.

No cômputo geral, o ateu fica mesmo em desvantagem, já que tudo é uma partida de futebol e, caso o seu time saia derrotado, ele vai ser sacaneado pela torcida do adversário na saída do estádio. Entretanto, em caso de vitória da sua equipa, ele, ateu, não vai poder fazer nada. Além do mais, ateus são torcida do América, cabem em uma van, daquelas que fazem o trajeto Centro-Barra. Caso a van saia da pista da Av. Niemeyer, que, aliás, é ateu e mora naquela área, e tome o rumo do oceano Atlântico, bom, desisti do período, ficou longo demais, melhor interrompê-lo agora, como aqueles esquetes do Monty Python que, por serem "too silly", seus personagens abandonavam a gravação. O post do César, ao contrário, é conciso e bem melhor.

Talvez o materialista encontre algum consolo na efervescência de vida que sobrevém mesmo à morte: aquela bicharia toda a roer a carne cadavérica, como um sal de fruta na água. É lindo, é a vida depois da morte!, dirá o ateu. Ao menos o otimista, modalidade muito mais penosa e rara do que a do otimismo crente e do ateísmo pessimista.

Os mórmons, àquelas questões de achados-e-perdidos, de onde vim, para onde vou, você sabe, respondem algo do tipo: você, antes de nascer, já existia, apenas ainda não possuía o seu corpo físico, vivendo apenas no do espírito com o seu Heavenly Father. Entretanto, o Pai Celestial achou por bem enviá-lo ao mundo para que aprendesse mais, longe Dele, como a mãe guepardo abandona, depois de uma certa idade, seus filhotes na savana. E depois, deste período terreno de aprendizagem, seu corpo físico morre e seu espírito volta para as bancas escolares celestiais a fim de continuar sua jornada de aprendizado. Depois de mais algum tempo após a morte seu corpo irá novamente unir-se à alma. O nome disto é ressurreição, cuja possibilidade foi comprovada pela de Jesus Cristo.

Postado por Marcelo Rota em 3:26 PM | Comentários (8)

junho 23, 2004

IDENTIDADE DE GRUPO

Seres humanos são classificados segundo a roupa e o corpo que usam. Eu sou do tipo que usa óculos de grau e bermudas. Agora estou usando uma laranja que minha esposa detesta. Além disso, não pratico exercícios físicos, a não ser o de dançar Petruchka de Stravinski com a minha filha de dez anos, de acordo com coreografia que improvisamos. Bebo coca-cola e fumo. Companheiros entre si e meus, o cigarro e a coca-cola, jamais ficamos distantes uns dos outros. As unhas são roídas, cutículas arrancadas.

Deleuze era do gênero que jamais as roía. Nem cortava. Quando pulou da janela do seu apartamento para a morte e para uma calçada do 5ème Arrondissement de Paris, as unhas, extensas como um período proustiano, permaneceram intactas. Mais tarde, seriam cortadas pelo legista. Mais tarde ainda, queimadas em ritual por um grupo de ex-alunos liderados por Charles Parnet. O pó resultante da queratina carbonizada, agora guardado em uma urna rachada na cozinha de Parnet, será utilizado no confeito do bolo que celebrará a primeira efeméride deleuziana.

Gilles Deleuze, além de pertencer ao grupo dos que não cortam as unhas, junto com Zé do Caixão, faz parte ainda do dos suicidas. Este, por sua vez, possui diversas subdivisões. Em uma destas está Deleuze, quietinho, olhando para as falanges, esperando que as unhas cresçam, mas elas jamais crescerão. Ele está na cela dos suicidas por defenestração, do francês "fenêtre", janela.

Os mórmons só batizam os rebentos em seu oitavo ano de vida. Antes disso, contudo, quando acabam de nascer, passam pela cerimônia denomi-

Acho que já falei dos mórmons esta semana. Os bebês aborígenes, envoltos em pano vermelho, são suspensos pela avó materna sobre uma pequena fogueira de ramos e folhas de arbustos da região. Assim, através da fumaça que os intoxica, recebem a benção da mãe-terra. Cristãos em Burgos, no norte da Espanha, em ritual que marca a ordem infanticida dada por Herodes I, rei da Judéia, enfileiram bebezinhos em um pano estendido no chão da rua. Um homem com vestes de arlequim toma distância, começa a correr a fim de saltar sobre eles como naquele stunt em que o motociclista voa sobre uma fileira de caminhôes scania. Recém-nascidos judeus, este todos sabem, têm o prepúcio cortado. No Cairo, neste momento, uma adolescente também tem extraído o seu prepúcio. Só que do clitóris, claro. Muçulmanos turcos esperam até a idade de sete anos para que os meninos passem pelo sunnet. Desta maneira, dói mais e as marcas na memória, indeléveis. Os wunderblogueiros também têm seu rito iniciático. Não posso contar, todavia. A não ser que você clique no link que estenderá este post.

Não. Mas clique no pontinho para ver o seu tipo humano .

Postado por Marcelo Rota em 1:20 PM | Comentários (3)

junho 21, 2004

ASDASDADASDAS

Na cerimônia de batismo dos mórmons, o pai diz ao recém-nascido: "Eu te abençôo com a capacidade de ver a beleza deste mundo." Realmente, quem não tiver o poder de ver na litosfera a beleza, vai desejar mais tarde afogar-se em alguma pia batismal.

Minha irmã me encontra e pergunta se estou bem. Péssimo, péssimo, respondo. Marcelo, o que é isso? Olha o céu estrelado, olha esta lua. Eu sei, irmãzinha, antes estivesse lá, o meu problema é com a Terra, mas do resto do universo eu gosto.

Que bom que você clicou! Assim poderá ver a correção que faço do primeiro parágrafo. Na verdade, os mórmons, como acreditam que os pimpolhos já nascem com a proteção divina, esperam até a idade de oito anos para realizar o batismo propriamente dito. "Eu te abençôo com a capacidade..." o pai diz ao que-ainda-há-pouco-saiu-do-ventre em um ritual que chamam de Father´s Blessing.

Queria pedir desculpas aos milhares de mórmons que me lêem desde Utah.

Postado por Marcelo Rota em 1:29 PM | Comentários (4)

junho 15, 2004

CAROS SIMPARANECROMENOI

Vou começar assim: o mundo é... Esta é uma daquelas frases que, tendo algo importante como sujeito, nunca se sabe o que colocar depois da cópula, do verbinho de ligação. Como a maré... O melhor seria não pôr nada, no máximo reticências, como fiz. Entretanto, Wittgenstein completou a primeira com "a totalidade dos fatos", Nelson Rodrigues, a segunda com "ser fiel a quem nos trai".

A melhor maneira de conhecer o mundo é estudando a própria casa. No meu caso, um apartamento de dois quartos. Agora há pouco estive no banheiro. Quando acendi a luz, uma aranha subiu rapidamente pela parede. Patas longas e finas que carregavam de modo elegante um abdome mínimo, de coloração amarelada. O corpo humano...

...digo isso enquanto olho para as minhas mãos, como se elas fossem o emblema do corpo. Moore, um dos viadinhos de Cambridge, que passou algumas noites insulado com Wittgenstein na cabana deste em fjord norueguês, quis provar a existência do mundo exterior com a sugestão, típica de manicures, de que contemplássemos nossas próprias mãos. Gosto de arrancar com os dentes as cutículas. Mas, se é para refutar o idealismo com as mãos, por que não a bofetada ou a masturbação?

O corpo humano, antes tivesse tantas pernas quanto o da aranha. Seria mais fácil locomovê-lo mundo afora. O mundo, antes fosse o da ignorância, como o de Aristóteles, com tanto a ser descoberto, como o da criança. Porém, não o de um adulto do século XXI como o meu, caros simparanecromenoi, meus iguais, meus irmãos.

Postado por Marcelo Rota em 9:23 AM | Comentários (4)

junho 12, 2004

ALSDKJASDLAKSDJASLK (1)

Rejeição intramundana do mundo. Aquela praticada nos mosteiros. E, antes da sua invenção, pelos ascetas sob o orvalho ou sob estalactites e fezes de morcego. Deve ser bom não ler jornais, não ver televisão, não receber telefonemas e emails, e nem ver ou falar com ninguém. De ruim apenas os diálogos com o surdo céu sem nome e as pessoas que ocasionalmente aparecem perguntando sobre o sentido da vida. O meu asceticismo particular reservaria pedradas para o lobo frontal desta gente.

Os místicos, como os náufragos, são soliloquistas. E ambos, insulados, confundem arrulhos de aves com o silvo do navio redentor.

Postado por Marcelo Rota em 5:13 PM | Comentários (1)

O MÍSTICO (2)

Um deles manteve a família - mulher e dois filhos - sem sair de casa durante sete anos. Os vizinhos diziam que era ciúme da esposa. Mas ele, que estava esperando o apocalipse. Não sei a razão de tanto tempo de espera, mas foi só ao fim deste período de sete anos que autoridades arrombaram sua porta. O filho mais novo foi o primeiro a sair. O pai, logo atrás, correu para segurá-lo, mas tropeçou nas próprias barbas proféticas. O menino, quase cego pela luz do sol, desorientado pelas maravilhas do mundo que não via desde os dois anos, deslizou, rolou e ralou-se penedo abaixo até chegar ao rio onde se afogou.

Li isso no jornal. Aconteceu em uma pequena cidade da Rússia.

Postado por Marcelo Rota em 5:12 PM | Comentários (0)

REJEIÇÃO INTRAMUNDANA DO MUNDO (3)

As únicas notícias que me interessam são as que me dizem respeito. Quero um canal de tv, 24 horas, com notícias em tempo real sobre o meu corpo. A única matéria que me é importante é a de que sou constituído. É a que mais ignoro, todavia. Sei mais sobre o conflito entre palestinos e israelenses, tão desimportante. Quero saber das minhas células, cada uma delas. Não importa o que ocorre na Faixa de Gaza, longe demais daqui, e sou indiferente ao que acontece no morro do Pavãozinho, aqui pertinho.

Passa este programa, “Marcelo, A Rota da Saúde”

Entre parêntesis, a grade horária do canal MRNews, é entremeada de drogadilhos coagulados

Passa o tal programa. Nele, um grupo de celebridades da área da saúde debate o meu metabolismo. Uma delas escorre sobre o meu jantar de ontem, Cup Noodles sabor camarão, e sobre como este alimento estava sendo catabolizado no organismo. “Este produto da Nissin – Ajinomoto, contém, como é sabido, soja geneticamente modificada. Ora, veja bem, catabólitos deste”, dizia quando foi cortado.

Surge então o logotipo do canal (a minha efígie rodopiante estampada no globo terrestre), ao fundo uma vinheta musical inquieta e alarmante. É o plantão, sempre um grande teste para o meu músculo cardíaco, que nestas horas fica taqui taqui taqui taqui. “O plantão anunciando a minha morte e o fim do canal pode muito bem aparecer logo após um destes plantões”, pensei.

(continua...ou melhor, não sei, ou melhor, cansei)

Postado por Marcelo Rota em 5:09 PM | Comentários (0)