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fevereiro 26, 2007

VARIAÇÃO SOBRE POST ANTIGO

que nem sei mais onde está, mas sei que já escrevi sobre isso. Quando o blog fica velho a gente repete temas, quando a gente fica velho a gente se repete se achando inédito. Eu não, tenho consciência de que me repito. Só o blog ficou gagá.

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Quando fico triste escrevo coisas assim:

Quando fico triste penso em Hamlet. Ele é o triste mais feliz que existe. A tristeza de Hamlet fala. Eu não, a minha tristeza é deficiência verbal.

Postado por Marcelo Rota em 3:20 PM | Comentários (3)

fevereiro 19, 2007

__A DEFINIÇÃO DE GÊNIO__

É quem acha que está certo sobre o mundo e o resto do mundo errado. Não, essa é a definição de louco. O gênio é quem acha isso e as coisas efetivamente são como ele acha que são. Mas, se ninguém entender o que ele diz, será para todos os efeitos louco. Assim como o louco que convencer a todos será realmente gênio.

Postado por Marcelo Rota em 10:44 AM | Comentários (1)

fevereiro 16, 2007

O POST DA NIBENUKE

O Brasil precisa de uma civilização de anti-brasileiros. Vamos inventar uma nova língua. Colonizar a Amazônia, seremos a nova SUDAM. Vamos nos reproduzir só entre nós, seremos gênios eugênicos. O boto cor-de-rosa será caçado em defesa da família e dos bons costumes. Desmataremos tudo o que for preciso, mataremos os índios remanescentes, nao permitiremos populações ribeirinhas. Guerrilla warfare: expulsaremos o pessoal do projeto Rondon.

Então, com o apoio do Estado de Israel, para quem ofereceremos terras cheias de borracha e madeira, iniciaremos uma guerra de secessão. Anarco-capitalistas, privatizaremos cada árvore, toda a fauna, inclusive o Uirapuru. Construiremos shopping centers flutuantes no rio Amazonas, transformaremos a pororoca em uma piscina com ondas, japanese style. Faremos churrasco de onça pintada. Escalopinho de suçuarana ao molho madeira. Arranha-céus muito acima da copa das árvores. Um gigantesco muro de Berlin nos protegeria dos brasileiros excluídos, excluídos por serem brasileiros demais. O grau zero de brasilidade é o nosso objetivo. Como nos castelos medievais durante a peste negra, deixaremos os pestilentos do lado de fora.

Postado por Marcelo Rota em 5:57 AM | Comentários (1)

fevereiro 15, 2007

STEPHIN MERRITT E O NEGÃO ALEGRE

Postado por Marcelo Rota em 10:08 PM | Comentários (1)

fevereiro 14, 2007

BREAKING NEWS

Sou contrário a postar sobre assuntos do dia, ninguém jamais deveria fazer isso. A gente vive atualmente a ditadura do presente. O atual nunca foi tão atual. "Tudo é notícia de jornal quando o fato deveria dar lugar ao contrafatual" foi colocada entre aspas só para que eu não me comprometa com rimas. Abdico da sonoridade mas não do sentido.

Postado por Marcelo Rota em 11:01 PM | Comentários (0)

fevereiro 12, 2007

RRR


Há dias só ouço o espanhol. Vivo cercado por eles. Florianópolis com argentinos é tão horrível como o Rio de Janeiro invadido por paulistas. Só que o Rio nunca é, e Florianópolis sempre é todos os anos pelos seus paulistas. Os passos que ouço subindo para o apartamento sobre o meu é de um argentino. Se eu matasse alguém, seria um argentino. Se alguém me, o assassino seria um argentino. Quero casar com uma argentina.

Postado por Marcelo Rota em 4:37 PM | Comentários (6)

REGINA DEL MONDO

A opinião é a rainha do mundo. Por isso penso sobre o homem que anda por aí olhando as pedras e pisando em folhas secas, sem opinião sobre nada e sem que ninguém tenha qualquer opinião sobre ele. Só não é a vida perfeita por muito pouco, porque se fosse já seria uma opinião.

Postado por Marcelo Rota em 4:22 PM | notinhas para mimself | Comentários (0)

fevereiro 9, 2007

ASDLASDASLDALSDL

Opiniões sobre assuntos como aborto, eutanásia, a pena de morte e a guerra no Iraque são sempre uma vergonha para os seus portadores. São assuntos que, como o Olavo de Carvalho, que deixou de ser uma pessoa para ser um tópico, são assuntos que viraram pessoas, e pessoas os defendem como se fossem pessoas e não assuntos. Não há nada de original a ser dito sobre eles, principalmente sobre o Olavo de Carvalho.

Postado por Marcelo Rota em 9:38 PM | notinhas para mimself | Comentários (0)

fevereiro 4, 2007

A TROIKA SUPERSÔNICA

...que é só um título de post. Poderia ser também o nome de uma novela de ficção científica publicada durante O Degelo de Khruschev. Mas não é, é só um título de um post que não reflete o seu conteúdo.

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A escritora Cujo Nome Esqueço venceu o prêmio Casa das Américas na categoria Literatura Brasileira. O livro de mil páginas narra o espetáculo da escravidão do ponto de vista da protagonista, escrava cujo nome também não lembro. Ricos nunca sabem se se aproximam deles por interesse. Mas, por cautela, supõem que sim. Quem escreve sobre temas bonzinhos e corretos é assim também: "Será que gostam de mim ou do meu tema?". Entretanto, seu amor-próprio não permite cautela e, assim, pressupõem que as pessoas os amam. Sim, os ricos tem menos amor-próprio do que as pessoas boazinhas.

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Outro dia defenderei a idéia de que você é também -

"também" não: principalmente

o seu dinheiro e que, portanto, não faz sentido a esquizofrenia expressa por "gosta do meu dinheiro, mas não de mim". É impossível separar a pessoa de suas circunstâncias. As circunstâncias são sobretudo as que o dinheiro pode adquirir ou as que propiciam a aquisição de dinheiro.

Já defendi.

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Mas continuo: quando a jovem viúva vil é a responsável pela própria viuvez, viuvez de um marido bem aquém dela mesma em beleza e em juventude, devemos entender a situação de uma maneira bem diferente da tradicional. A viúva não é malvada e o marido assassinado, a ingenuidade bondosa. Quem primeiro traiu foi justamente ele ao não cumprir os termos do contrato tácito. Ele gostaria de exibi-la em festas, causar inveja nos amigos e familiares, ao que ela não se opôs. Ela gostaria de ter amantes, o que é justo, pois o marido é velho e sexualmente frágil. Ele não gostou disso e ameaçou-a do modo mais terrível, através do dinheiro. Como ela ficaria sem as coisas que o dinheiro pode comprar, como amantes e cosméticos? Ela havia se casado com aquele homem vil e velho exatamente por isso. A mulher jovem do homem velho e rico é um investimento arriscado, pois das coisas que o dinheiro pode comprar é a única que quer comprar outras coisas. Não é como um carro, ora, um carro não quer comprar outros carros. Ele sabia disso. E sabia da obrigação moral de lhe dar dinheiro. Não pode ameaçar tomar-lhe o que existe de mais importante. Matá-lo foi apenas justiça retributiva.

Postado por Marcelo Rota em 10:54 AM | Comentários (2)

fevereiro 2, 2007

queremos a pureza e a sensualidade dos karamazovi

  1. Dostoievski não me faz escrever melhor mas me faz querer ser uma pessoa melhor.
  2. Borges, filosofia fictícia, ele, ficção filosófica.

  3. Sua obra é a de um existencialista cristão.

  4. Existencialista cristão como Kierkegaard, como Kierkegaard, ficção filosófica; mas, ao contrário de K., explicitamente ficcionista. Ao contrário de D., K. é explicitamente filósofo.

  5. Será que posso falar em filosofia romanesca a respeito de Dostoievski? Posso sim.

  6. A vantagem da filosofia romanesca sobre a filosofia period: poder usar argumentos ad hominem. Gostaríamos de considerar apenas argumentos e não pessoas e, desta forma, aceitar apenas argumentos ad rem. Todavia, uma pessoa vale não os seus argumentos, mas o modo como vive as suas crenças que, ocasionalmente, são sustentadas por argumentos. Viver o que se professa é mais importante do que o que se professa. Não deveríamos tolerar o espaço entre o sistema de crenças organizado por argumentos e a ação. Ninguém é o que acredita se a crença é inerte e em contradição com o que se vive e existencializa.

Postado por Marcelo Rota em 4:27 PM | Comentários (1)

Definição de amiga:

amiga é quem - mas antes uma advertência:

Como todas as definições é arbitrária, como todas as arbitrariedades, injustificada e, enfim, é mentirosa. Mas apareceu no meu cérebro e achei, assim, bonitinha. Lá vai:

Amiga é quem faz sexo comigo.

Tenho uma que diz que me ama e me adora, mas não quer fazer sexo comigo. Aí eu disse: "Então não sou mais seu amigo."

Postado por Marcelo Rota em 1:50 AM | Comentários (1)