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fevereiro 28, 2006
SOBRE AS PESSOAS NO MOMENTO CRUCIAL DA MAÇANETA
Os filmes bons são aqueles cujos personagens avançam decididos para a porta. Abrem, há um rangido casual e ficam, cabisbaixos, imobilizados com a mão na maçaneta de acrílico.
Ah, aqueles instantes de hesitação e angústia das frias maçanetas!
Bom, então olham para trás, não porque tenham esquecido o guarda-chuva ou a chave do carro. Há uma pessoa com quem discutiam segundos antes. Conversa desagradável e que alguma palavra ofensiva estilhaçou. Como dizia, dão um giro de cento e oitenta graus e olham. A pessoa, em geral uma mulher, está de costas e olha através da janela. Lá fora a nevasca castiga o mundo. Os personagens
não sei por que mantenho o plural, mas faço questão do masculino para "personagem".
Estes personagens não largam a maçaneta. O contato frio da maçaneta é a garantia de que, talvez, ainda reste uma palavrinha mágica que possam proferir e mudar tudo. Olhem para o rosto do segurador de maçanetas de acrílico (abandonei o plural). Imaginem um ponto de interrogação invertido. É uma forca, não é? E é onde está o pescoço do maçaneteiro.
Largá-la acionará o alçapão do cadafalso. Se o maçaneteiro sai porta afora, aquele que teria voltado e falado com ela morre. E vice-versa. Talvez exagere ao dizer que o maçaneteiro esteja no umbral que separa dois mundos possíveis.
Mas não: é assim mesmo, meus caros symparanekromenói.
Postado por Marcelo Rota em 7:48 AM | não há nada além | Comentários (0)
fevereiro 27, 2006
ASDKASDKASDKASK
O Lourivaldo (neste momento, o último comentarista) é bom e tem página.
Postado por Marcelo Rota em 10:47 PM | o colecionador | Comentários (3)
fevereiro 25, 2006
DO GERADOR DE FRASES COM TOP SPIN
"A verdade tem as pernas decepadas" é o que iria escrever. Talvez acrescentar que a mentira é uma lebre. Não sei.
Mas uma coisa é certa: a verdade é uma predadora incapaz, uma leoa de muletas. A mentira, a presa, uma gazela com viço e ginga de mulata. E a verdade é o sessentão que pagou pela mulata mas esqueceu o viagra na bolsa da patroa.
Que coisa.
Postado por Marcelo Rota em 1:27 AM | notinhas para mimself | Comentários (1)
fevereiro 23, 2006
CAPTURADO NOS SCRAPS DO MARIDO DA KA.TIL.CE
Ka.Til.Ce, para os que estiverem lendo dez anos (ou meses) no futuro, foi uma moça que subiu ao palco durante um show de rock e beijou o vocalista Bono Vox da banda U2. O grupo musical U2 fez muito sucesso entre o final do século XX e o início do XXI. Explicar o que foi Orkut não vou, estou sem tempo, deixo para o rodapé dos meus editores.
O texto abaixo é reprodução não autorizada do original. Provavelmente nunca terei problemas com isso porque quem o escreveu não possui qualquer interesse autoral. Eu, todavia, gostei muito do estilo dois mil e seis do mocetão. Se já não chamam, chamarão isso de literatura da oralidade.
Há quem escreva mal de propósito ou por falta de um. Como Raduan Nassar, escritor que floresceu no Brasil em meados do século XX, quando publicou e ganhou prêmios e honrarias. Logo depois abandonaria a literatura para criar galinhas em Pindorama, interior de São Paulo. Décadas mais tarde reaparece no cenário cultural brasileiro através de entrevista concedida a Arnaldo Jabor em sua granja.
Arnaldo Jabor, depois de uma década dirigindo filmes, abandonou o cinema
[palmas]
para consagrar o resto de sua longeva vida ao jornalismo.
[ruídos de decepção]
O, digamos, marketing statement de Raduan no retorno foi a galinha. A troca da literatura pela galinha. O premiado escritor que, no auge do apogeu do ápice da fama cocoricó cocoricó cocoricó. A Folha de São Paulo, jornal da época, queria saber o porquê e mandou Jabor para o sítio.
Raduan deveria ter recebido, era o que todos esperavam, o visitante como Diego Maradona teria feito (editores!): com tiros de arcabuz. Todavia, tomando suquinho de laranja em cadeiras de balanço, conversaram. Jabor:
POR QUE?
EU NÃO TINHA MAIS O QUE DIZER, disse Raduan e disse muito mais, até citou o "Tratado das Paixões da Alma" de Descartes; uma longa, longa entrevista. E, no impulso da repercussão, livros relançados, inéditos, filmes.
As galinhas morreram.
Mas, eu dizia, há quem escreva mal de propósito ou por falta de um, como o Raduan. O mocetão abaixo escreve bem sem querer. Leiam.
AI CORNO É SEGUINTE... SOU DE ARAÇATUBA-SP CERCA DE 560 KM DA CAPITAL,CERTO... ESTOU SEMPRE AI EM SP. VAMOS LÁ ... CHEGO EU NA MINHA CASA DEPOIS DA FACULDADE...LIGO A TV E VEJO UM CARA QUE É MAIS ENRUGADO QUE O MEU SACO... E VC DEIXA A TUA MUIÉ SUBIR LÁ E DAR UM BEIJO NO CARA? CÊ TA LOUCO??? QUANTOS AMIGOS SEUS ESTAVAM LÁ? PELOS RECADOS ERAM MUITOS NÉ? BOM VELHINHO É MAIS OU MENOS O QUE UM PARCEIRO SEU DISSE AI NOS SEUS RECADOS... ELA PELO MENOS FEZ UM BELO BOQUETE PRA VC ANTES DE SUBIR LÁ NÉ? AI VC DISSE PRA ELA: AMOR EU DUVIDO VC SUBIR LÁ E DAR UM SELINHO NELE E NÓS TODOS AQUI SABEREMOS QUE ELE CHUPOU MEU PAU DE TABELA......KKKKKKKKKKKKKKKKK........ MAS TODOS NÓS SABEMOS QUE VC NÃO FEZ ISSO... A VERDADE É QUE ELA ESTAVA TODA MOLHADINHA PELO CARA E LARGOU VOCÊ AJEITANDO A PERUCA DE TOURO E SUBIU SEM LHE DAR ATENÇÃO...RESUMINDO SABE O QUE VC DEVE FAZER COM ESSE BAGAÇO? JOGA PRA GALERA FATIAR... SE FOR O CASO NÓS DAMOS UM JEITO... VC JA PENSOU NA SITUAÇÃO EM QUE VC ESTA? E OS SEUS PAIS? O QUE FALAM? BOI
Lembra o Raduan na pontuação e no ritmo da frase, ainda que sem querer. Faz literatura e não sabe. E nunca vai abandonar a criação de galinhas em Araçatuba-SP para dedicar-se a literatura.
Postado por Marcelo Rota em 9:05 AM | o colecionador | Comentários (6)
fevereiro 20, 2006
BOSTERIDADE
Não deveria escrever isso porque, bom, deixa para lá. Pior do que escrever o que vou escrever é iniciar o post de maneira escusatória. No excuses, disse o existencialista.
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Primeiro, a frase fedorenta: "No futuro todos terão meia dúzia de posteridade."
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Não tenho vergonha de dizer que daqui a cinquenta anos sete pessoas lerão, estudarão e discutirão Marcelo Rota.
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Quem fica constrangido de assumir a esperança da leitura póstuma, deveria fazer vasectomia ou ligar as trompas, conforme o caso.
Não é uma pretensão, é só uma esperança sensata. Por isso faço backup. Não sei até quando os wunders vão pagar a mensalidade do servidor.
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"Fazer filhos é fazer backup.", outra frase boa e nojentinha.
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O mundo cada vez mais aos caquinhos, qualquer um pode virar uma relíquia para dois ou três (estou ficando mais modesto na quantificação dos meus pósteros leitores). E vão trocar emails sobre este post e outros.
"Rota Society", "Rota Studies", etc.
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Toda vez que converso com Adrian Leverkuhn sinto o riso de fantasmas, hoje almas sentadas em poltronas reclináveis, senhas com Número de Avogadro nas mãos, aguardando a sua vez.
O malévolo loga todas as suas comunicações via msn.
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Escrever para os que ainda não nasceram é muito diferente de escrever pelos que já se foram. Falo muito de Proust e penso sobre o que seu fantasma pensaria sobre o que penso dele. Uma fantasia infantil querer que Proust me ache um lindinho.
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No futuro todos teremos meia dúzia de posteridade.
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A EXPRESSÃO está barateada. Todos nós, viadinhos, escrevendo blogs, publicando vídeos caseiros, fotinhas, borrifando letrinhas em caixas de comentários, inventando perfis bacaninhas no orkut e [preguiça de continuar a enumeração]
Tão barateada e difundida a EXPRESSÃO que, pausa para uma afirmação de peso antes dos dois pontos: O GÊNIO MORREU, seu cadáver perdido em algum ponto do que vou chamar de O Labirinto de Gutemberg.
A pessoa morrerá lendo liberinos e outros ruídos antes de chegar ao Elton Mesquita e ao Soares Silva. Os poucos que chegarem não serão ouvidos pelos outros, que estarão ocupados com o ruído. Elton ficará com seus sete pósteros, SS também por aí. Liberino talvez fique com oito só porque escreveu mais.
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Você que não citei, não fique triste: também terá seus sete.
Postado por Marcelo Rota em 5:15 AM | não há nada além | Comentários (12)
fevereiro 17, 2006
DROGA
detesto blog copy&paste, mas o ímpeto do ctrl-v mais uma vez me derrotou. Foi o _________ quem me apresentou o soneto. Quero dar crédito a ele pela descoberta mas ao mesmo tempo não sei se ele quer. Fica com lacuna até sabermos.
A XeroxonaBruno Tolentino
A bela Espinozona é mesmo um ás!
Filha da Maria Antônia, e sumidade
de que a USP garante a idoneidade,
se bem me lembra há pouco tempo atrásera ainda uma vulva tão voraz
que deglutia os mestres à vontade,
chegou a fazer seu mais da metade
de um livro do Leffort - o que aliásassustou o Merquior... Essa araruta,
que a fim de ter seu dia de mingau,
chupa o trabalho alheio pelo pau,pode até ser o que ninguém disputa
- a Vênus que dá tudo pela luta -
mas xerox em xereca é genial!
Apesar de "há pouco tempo atrás" e ter aliterado vulva com voraz, é genial. Vulva voraz não tem tanto problema, nem mingau com pau, eu mesmo gosto de vulva da viúva e outras cruzesouzices. Já mingau com pau, não, não gosto; quer dizer, só gosto da rima que é de uma brutalidade inesperada. Mas, well, nem importa se a vulva é voraz, o há anos atrás, o mingau com pau, se tudo isso é legal e cada verso é veraz.
Postado por Marcelo Rota em 1:02 AM | o colecionador | Comentários (3)
fevereiro 12, 2006
ON THE FRIENDSHIP BETWIXT TWO GIRLS DANCING PIXIES
Maybe we all should stop blogging with...
alskdjaslkdj
letters.
Writing is a needlework made by Grannie Alzheimer: letters chained into words chained into sentences and
what's the use of a book without pictures?
***
I almost forgot, but this is Tasha's world famous ´hey´ video.
Postado por Marcelo Rota em 2:33 PM | o colecionador | Comentários (9)
fevereiro 7, 2006
PIADAS DE MULLA NASRUDIN (4)
Perguntaram a Mulla Nasrudim, então neurologista de fama cósmica, se ele acreditava na existência da alma:
-- O meu lobo frontal esquerdo acredita.
Postado por Marcelo Rota em 11:44 PM | mulla nasrudin | Comentários (0)
CHICHISBÉU
Este texto, que, aliás, é o trecho de um, não é meu, não sei de quem é, encontrei no google com a palavra-chave "chichisbéu", mas, pô, diz aí se nao é legal:
Reforma na sistemática educacional, injetando brasilidade no mortiço relampaguear de civismo de uma juventude acarrada ao borralho do refalsado pregoeiro das pequenas pa-trias, o amantético chichisbéu de Clotilde de Vaux, fazem o governo criar aos 13 de janeiro de 25 a Cadeira de Educação Moral e Cívica. Álvaro Maia inscreve-se no concurso com duas teses: “Imperialismo e Separatismo’ e “A bandeira Nacional como Símbolo e Emblema da Faina”. Na primeira, vapulando o positivismo conteano, ferreteia: “As leis no Brasil, são liberais: Não sei entretanto, se o liberalismo chega ao ponto e à audácia de permitir que uma seita qualquer sustente à sombra da Bandeira, o desmembramento e a desmoralização da pátria”. E na página 23 esta sentença luminar: Criando as cátedras da Intrusão Moral e Cívica, o Brasil ergueu púlpito (...)
Postado por Marcelo Rota em 5:29 PM | o colecionador | Comentários (4)
fevereiro 5, 2006
"PRIMEIRO OKLAHOMA!"
Thomas Grasso foi julgado por homicídio em Nova York, onde não há a pena capital, e em Oklahoma, onde há. Declarado culpado nos dois estados, decidiu-se que, primeiro, ele cumpriria a pena de prisão perpétua em NY e, depois, receberia a injeção letal em Oklahoma.
Grasso não gostou da decisão e, depois de muita papelada deliberativa, conseguiu reverter a cronologia das sentenças. "Primeiro Oklahoma!", exigiu e venceu.
***
Agora gostaria de pedir à minha instrumentadora, Amanda, o fórceps para retirar da história de Grasso alguma coisa que ainda não sei o que é.
Obrigado.
Aqui está. Há dois, e somente dois, tipos de pessoa: o que espera em Nova York e o que avança para Oklahoma.
Escrevo mais ou termino assim? Assim.
Postado por Marcelo Rota em 5:03 AM | não há nada além | Comentários (3)
fevereiro 2, 2006
CRUZ E SOUZA É ASSIM, NAO É?
Vivian
viu a velha vulva da vil viúva
(que era ruiva)
e vomitou viscosas vísceras,
alvas volúpias venais.
Postado por Marcelo Rota em 11:30 PM | concupiscíveis | Comentários (7)