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novembro 30, 2005
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Ah, se escrevo violência violência os anúncios do google pipocam seguros de vida. Violência. Morte. Sangue. Sexo.
(Vamos ver o que acontece)
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Enquanto isso na câmara de deputados, Zé Dirceu, usando toga, é esfaqueado por outros de toga. Uns cinco ou seis. Cada um dá uma estocada. A toga do Dirceu logo vai acumulando furos vermelhos. A última quem dá é o deputado Brutus, não Brutus não, seria óbvio demais. O deputado Professor Luizinho, caso ele ainda não tenha sido cassado, dá o último golpe, fincando, como uma bandeira no solo lunar, um facão na pança do Dirceu. Este faz uma cara de "Pô, Luizinho". Marco Antônio entra mas já é tarde demais.
Da próxima vez vou enfiar a Cleópatra, ou na Cléo Pires, na História.
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Ah, sim, não tenho mais nada a dizer.
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Postado por Marcelo Rota em 6:31 PM | Comentários (2)
novembro 29, 2005
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1. O melhor lance da rodada ocorreu na partida entre Náutico e Grêmio pela Segunda Divisão. Torcedor com camisa gremista invade o gramado e corre como uma partícula subatômica furiosa. Horda de poliça na perseguição. Quando o torcedor estava próximo da linha de fundo, perto da trave, SURGE.
De trás das placas de publicidade um gordo deslumbrante e disforme. Ele intercepta o torcedor em fuga com uma, não com uma joelhada não foi bem isso. O gordo projetou-se meio de banda contra a velocidade do gremista. Fato é que a cena foi de uma plasticidade, de uma poesia. O gremista voando sem idéia do que lhe havia atingido e caindo junto a trave. Quase gol. Os programas esportivos até ontem não se cansavam de repetir a cena ao mesmo tempo em que condenavam a violência, e repetiam extáticos, e condenavam a violência, a pseudo-joelhada, o torcedor voando, e condenavam a violência.
Postado por Marcelo Rota em 4:27 PM | Comentários (2)
CITOU PROUST AO VER A GOSTOSA
"Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação", disse o magricela de óculos, citando Proust, ao amigo. E olharam para trás para ver a bunda da loura gostosa que seguia em direção à praia abraçada ao homem sem imaginação, surfista e maconheiro.
Postado por Marcelo Rota em 2:41 PM | Comentários (0)
novembro 24, 2005
ENUMERAÇÃO DE UM SÓ
1. Um engenheiro civil que escreve um livro com este título e que aparece nos google ads deste blog.
Ok, de dois:
2. Um lógico medíocre, Petrus Ramus, morto no Massacre de la Saint-Barthélemy. A horda católica invadiu seu gabinete, esfaquearam-no e depois seu corpo foi defenestrado do quarto andar. Não era nem um huguenote convicto, mas o fim trágico transformou-o em mártir na Inglaterra. E nos próximos séculos estudantes de Oxford seriam obrigados a estudar pelos seus livros. Virou personagem de uma peça de Marlowe.
Mensagem: Como se morre, e não como se vive, é o melhor marketing para a posteridade.
Postado por Marcelo Rota em 10:12 AM | notinhas para mimself | Comentários (1)
O MUNDO É MEU CAMPO VISUAL
Primeiro, um maço
ou "carteira", alguns usam esta palavra
... um maço de cigarro com o verso virado para cima. Mostra dois cadáveres: o de um camundongo e o de uma barata. Alguém deveria ter avisado às criaturas que não se deve fumar. E, baratas, logo as baratas, que, segundo o mito, resistiriam aos efeitos da radiação de uma explosão nuclear.
O segundo e nem os próximos não descrevo pois são de caráter extremamente pessoal.
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Seis e dez da manhã. Neste momento penso em como dormir. Só consigo, entretanto, pensar em frases de efeito mongolizante. Sobre o sono:
que ele e a alba -
conhece a Alba, também conhecida como Aurora?
Pois então: o meu sono é amante da Alba, espera a sua chegada para só então entrar em ação.
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Uma metáfora tortuosa é como despertar após duas horas de sono com o telefone tocando: parece que é alguém fazendo telemarketing; depois você, entre as névoas da modorra, conclui que é a sua mãe dizendo que está grávida. Não era nada disso na verdade. Desconecta o telefone e dorme novamente. Sonha que tudo não passou de um sonho.
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Meu projeto depois de concluir este post é o de ter um sonho lúcido. Aquele em que, semi-conscientes, temos controle parcial da peça. Ao acordar, tomarei notas.
Postado por Marcelo Rota em 3:54 AM | cigarro | Comentários (0)
novembro 23, 2005
MANDA BALA
Aê, macacada, não se posta mais aqui.

Postado por Marcelo Rota em 1:12 PM | Comentários (3)
novembro 16, 2005
O HOMEM QUE SE TORNOU POLLOCK
O homem de idéias, aquele da life of the mind, um dia deixou de tê-las. Lembrou de Montaigne: a melhor maneira de clarificar nossas idéias é pondo-as por escrito. “Certamente devo ter uma que deseje esclarecer, dar-lhe forma literária”, pensou. Porém não escreveu, pobre ágrafo que se tornou. Isso porque pensou não como frase, palavras enfeixadas gramaticalmente, nem mesmo como palavras. É mesmo de se duvidar que tenha pensado alguma coisa, pois eram apenas abstrações de um cérebro inquieto. Espremeu a ponta em brasa do cigarro no cinzeiro. Olhou para as cinzas sobre o aço do cinzeiro. Espalhadas, incontáveis, partes negras, outras brancas, algumas ainda retendo vestígios da sua forma cilíndrica original, quando ainda eram parte em brasa do cigarro, as cinzas, pensou, "emblema do estado da minha mente". Pensou isso daquela forma vaga que já sabemos: não escreveu. Seu cérebro tornou-se um quadro de Pollock. Um exame de Imagem de Ressonância Magnética Funcional revelaria isso. Haveria uma exposição no MoMa. Os visitantes balançariam a cabeça positivamente diante das pinturas. "Veja essa textura", diria uma mulher para o seu namorado. O autor, e ao mesmo tempo matéria, incógnito, observaria tudo sem entender nada.
Postado por Marcelo Rota em 12:12 AM | Comentários (0)
novembro 15, 2005
LA JEUNESSE FAISANDÉ
Xerxes mandou que chicoteassem o mar que não cooperava com a navegação de sua frota rumo à guerra. Os jovens, ah, os jovens, os jovens precisam de rock, quebrar guitarras, pular do palco, falar palavrões. Dêem rock aos jovens e ficarão mansos. Os jovens de coquetel molotov de Paris, arremessando-os contra os carros, reclamam emprego. Incendeiam carros como Xerxes descia o sarrafo no pélago. Emprego é só um pretexto. Dêem-lhes shows de rock e ficarão quietinhos.
Postado por Marcelo Rota em 6:10 AM | Comentários (4)
novembro 7, 2005
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A música fala por si mesma. Mas a música ventriloqua também, entendeu, rapá?
Postado por Marcelo Rota em 11:11 PM | Comentários (2)