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outubro 29, 2005

OS NOMES

A tempestade Beta chega ao Caribe, diz a manchete. Ao que parece os fenômenos meteorológicos, eles decidiram, não serão mais designados por nomes próprios como "Wilma" ou "Nivaldo Cordeiro", mas com letras gregas. E começaram com Beta. Beta?!

Polícia mata bem-te-vi no morro, diz outra manchete. Ah, não consigo mais simbolizar metáforas. Para mim foi com espingarda de chumbinho mesmo. Na foto os poliça se abraçam felizes. "Matamos bem-te-vi!", parecem dizer enquanto se abraçam no estilo encontrão, como jogadores de futebol americano depois de marcar um um um, sei lá como é o nome daquilo. Touchdown?

Postado por Marcelo Rota em 12:05 PM | Comentários (2)

outubro 27, 2005

"OS TESTÍCULOS DO TITIO"

Esse era o título do conto que inscreveu em um concurso de nanocontos. Seu nome era Carlos ou Carlúnculo, sua condição era a de anão. Seu conto era assim:

Papai casou com a mamãe grávida de mim. Ele, quarenta e oito, ela, dezoito. Hoje tenho dezessete e, façam as contas, a minha mãe, trinta e cinco. Tenho ainda duas irmãs, uma dois e outra quatro anos mais nova do que eu. E parem de fazer contas, por favor, pois a minha mãe, eu a vi hoje de joelhos na casa do meu tio Haroldo, irmão caçula do meu pai. Meu tio, com papai sempre em viagens de negócios, sempre cuidou de mim como um pai.

O espelho na parede do quarto do tio Haroldo mostrava a minha mãe ajoelhada. Escorreram bebês, milhões de bebezúnculos, pelo lábio inferior de mamãe. Será que eu poderia ter sido um deles?

Carlão, que não é anão, é o filho de Carlúnculo. Um dia Carlão est

Fiquei com preguiça de terminar.

Postado por Marcelo Rota em 6:35 PM | Comentários (2)

outubro 21, 2005

A MATRIOSKA E O MATRICIDA

Descobri que minha mãe não me amava quando, aos cinco anos, ela me deu de presente de natal uma matrioska. Uma matrioska de um metro na qual cada boneca contida é sempre um milionésimo de micrômetro menor do que a que a contém. Obviamente, morrerei antes de chegar à menor de todas.

***

Agora, meia-noite e um quarto, sombras de catedrais, múmias forçam do meu quarto a porta. Dentro, mamãe é morta.

Postado por Marcelo Rota em 7:22 PM | Comentários (2)

PIADAS DE MULLA NASRUDIN (2)

“Eu tenho saúde para dar e vender”, disseram a Mulla Nasrudin. “Então me dê um dos seus rins que eu vendo”, respondeu o Mulla.

Postado por Marcelo Rota em 10:37 AM | mulla nasrudin | Comentários (0)

outubro 20, 2005

DFGKDFG

Tenho certeza que as peçonhas com furor exclamativo, aquelas que escrevem “Oi, Marcelo!”, “Tudo bem!”, “Não sei!”, “Estou com sono!”, exercem através do artifício um esforço de compensar uma vida morna e reticente!!

(Viram como as exclamações deram ao longo período um ar de “eureka”, uma eureka gay e cacófota?)

Postado por Marcelo Rota em 2:14 PM | Comentários (0)

outubro 19, 2005

PIADAS DE MULLA NASRUDIN (TRADUZIDA)

Pediram ao chefe que escrevesse uma carta de referência para Mulla Nasrudin, que ele estava demitindo após apenas uma semana de trabalho. Ele não queria mentir, nem chatear o Mulla desnecessariamente. Então escreveu: “A QUEM INTERESSAR POSSA: MULLA NASRUDIN TRABALHOU PARA NÓS POR UMA SEMANA, E ESTAMOS SATISFEITOS.”

Postado por Marcelo Rota em 5:47 PM | mulla nasrudin | Comentários (0)

PIADAS DE MULLA NASRUDIN

Perguntaram a Mulla Nasrudin por que ele fumava tanto.

-- Não tenho vontade de viver além do último cigarro.

-- Vejo que você não acredita na vida após a morte...

-- Não, mas gostaria, pois então não haveria O Último Cigarro.

Postado por Marcelo Rota em 10:58 AM | mulla nasrudin | Comentários (0)

outubro 18, 2005

PROPAGANDA DE CIGARRO

Não vou fumar mais nenhum cigarro, este aqui vai ser o último, pensou. Achando que não seria suficiente apenas pensar, repetiu em voz alta:

-- Não vou fumar mais nenhum cigarro, este aqui vai ser o último.

A fumaça se acomodou às estreitas faixas de luz solar que entravam pela persiana. O quarto ficou listrado de fumo dourado. Observou a ponta incandescente do cigarro, o anel de fogo que consumia em uma espiral descendente o papel branco. Estava inspirado e inspirou mais uma vez. Ficou olhando para a torre de cinza enquanto girava o cigarro entre os dedos. Viu uma pareidolia nas cinzas da torre, outra nas espalhadas pelo cinzeiro e a terceira, a efígie de Napoleão na fumaça. Expirou, apagou o cigarro e achou aquilo tudo bonito demais para ser a última vez.

***

Dois soldados alemães em Stalingrado. Um deles aproxima o cigarro dos lábios do outro, que está com a cabeça enfaixada e uma perna e meia. Mas ele expirou, dizendo “mamãe”, antes da chegada do cigarro. O amigo fumou o resto pensando na própria mãe.

Postado por Marcelo Rota em 3:19 PM | cigarro | Comentários (0)

outubro 17, 2005

DISTOPIA 2457

Um mundo imaginário e impossível é o da anonimia universal. Ninguém tem nome, ninguém tem reputação, um mundo onde todo mundo é ninguém. Nenhum poderia orgulhar-se ou envergonhar-se de ser alguém ou de ter feito tal coisa, porque as ações, boas ou más, seriam inimputáveis, afinal, não há identidade.

No nosso mundo, de nomes e identidades, é curioso notar e anotar isso, então anotem:

A ação má deve ser feita com tal discrição que não se possa vinculá-la a seu autor. Assim, este pode, sem ser responsabilizado pelo dano causado, desfrutar dos benefícios obtidos pela ação danosa, como a honra e o poder.

As ações boas devem ser feitas com publicidade suficiente para que o autor goze da repercussão. E assim ter honra e poder.

Entretanto, se observamos alguém honrado e poderoso, como identificar a fonte de seu status, se o mal ou o bem? É da natureza do mal ocultar-se, assim como a do bem é publicar-se. O homem bom é discreto.

Voltemos ao slide do mundo da anonimia. Este aqui. Olhem bem. A boa ação neste caso seria realmente boa, já que ela não possui autor identificável. A ação má, também irresponsabilizável, poderia ser cometida sem medo de punição. Porém, vejam este gráfico. O mal no mundo de nomes é perpetrado para que se possa ganhar pontos de boa reputação. Ele elimina a pessoa e faz sumir o cadáver. Depois escova os dentes e dá um nó perfeito na gravata. A elegância, a metrossexualidade do Mal. Lembrem que a morte é um dândi auf ein Pferd. Na anonimia não há reputação, boa ou má, então o objetivo de se praticar o mal fica esvaziado e perdido.

Anotem. Na próxima aula mostrarei que, ainda assim, o mundo da anonimia é pior do que o nosso mundo.

Postado por Marcelo Rota em 12:35 PM | Comentários (0)

outubro 15, 2005

A ESTRANHEZA DO MUNDO QUÂNTICO

Schrödinger tinha três esposas. Só uma delas não era gêmea de outra esposa. Não havia um traço, uma característica que uma gêmea tivesse e que a outra não possuísse, e vice-versa. Ele queria muito saber qual das duas estava comendo em determinado momento. Tatuagens e roupas diferentes não funcionavam. Quando colocava um vestido vermelho em uma, a outra aparecia imediatamente com um vestido idêntico, violando a velocidade-limite, a da luz. Contou para Einstein, que não acreditou e o mandou tomar no C. Concebeu a famosa equação de onda para distinguir as gêmeas. Como se sabe, houve, entretanto, o colapso da função de onda. E Schrödinger nunca mais comeu ninguém.

Postado por Marcelo Rota em 12:09 PM | Comentários (0)

A SÍNTESE DIALÉTICA ENTRE O NÃO E O SIM

Eu NÂO voto.

Postado por Marcelo Rota em 12:04 PM | Comentários (0)

outubro 12, 2005

ASWQWEFCF

Já devo ter escrito isso, mas a música é feita de repetições e eu mesmo repeti o ano várias vezes durante o ensino médio:

A contracultura de hoje é o conservadorismo. Por exemplo, o síndico do meu prédio ficou chocado ao descobrir um morador reacionário na reunião de condomínio e fez uma moção de repúdio ao cidadão. Como o meu avô que, certa vez, ao ver um hippie em pé no seu portão, despejou um balde de água na piolhenta do maluco.

Postado por Marcelo Rota em 1:39 PM | Comentários (4)

outubro 5, 2005

ASDLASDASLDASDASL

Para furar o blogueio, melhor escrever quelque chose: em português mesmo para não dar problema.

***

Não consigo parar de ouvir jazz. Por isso ouço andando. Não mais pelas ruas de Copacabana, do Bairro Peixoto, onde era o fodão e cujas saudades estupro mas não mato pelo Google Earth. Agora pelas ruas de Florianópolis, onde moro em um gueto burguês, aqueles com cumprimento para porteiros na saída e na entrada. Paulista fala "meu" porque é possessivo, eu falo "Seu", como pronome de tratamento. "Bom dia, Seu Porteiro". Tenho evitado sair de casa porque ainda não conheço muitas variações de cumprimento a porteiros. Não gosto de me repetir, Flaubert.

***

Quando não estou ouvindo jazz e quase sendo atropelado durante o uso dos registros superiores do sax tenor de Coltrane, converso com a minha filha:

-- O que você prefere: morrer ou comer cocô?

Ela fez esta pesquisa na escola nova e a maior parte das crianças, curioso, evita a cacofagia. Como resposta, contei para ela a história de um guitarrista que morreu sufocado no próprio cocô.

Postado por Marcelo Rota em 4:12 PM | Comentários (2)

outubro 3, 2005

NO AVIÃO

Os dois passageiros sentados ao meu lado começaram a tricotar a conversa mais estranha que já tive a oportunidade de entreouvir. Falavam de um lugar, de uma cidadezinha, onde ninguém trabalhava. Ao menos foi isso o que entendi. Seus habitantes, gente de todas as idades, ficavam o dia inteiro, todos os dias, sem fazer nada a não ser o que lhes interessasse. Conversavam uns com os outros, davam festas, bebiam, riam, divertiam-se, iam a praia, comiam e dormiam. Aí o outro comentou que o experimento do 'fulano' (não consegui entender direito o nome) só havia fracassado até agora por causa do problema da ereção. O problema era que os homens do lugar tinham ereções involuntárias. Normal, pensei, afinal esta é uma das partes do corpo sobre a qual se tem menos controle. É o membro autônomo. Não é como o dedo médio que a gente encolhe e estende quando a gente quer e que jamais levanta espontaneamente. Sei lá, mas na tal cidade, o objetivo do seu mentor e fundador (acho que um milionário que selecionou umas mil pessoas para irem passar o resto de suas vidas neste lugar paradisíaco, tudo às suas custas) só seria concretizado caso conseguisse eliminar da cidade, não as ereções em geral, mas apenas as invóluntárias.

Depois que o procedimento de decolagem terminou, as turbinas ficaram mais silenciosas e pude ouvi-los melhor. Eis um resumo do que consegui entender:

Segundo santo Agostinho, existem três libidos: a dos sentidos, a do poder e a do conhecimento. Estas são as três pulsões egoístas das quais o homem fica dependente depois do pecado original. A finalidade do milionário é a de provar a possibilidade de recuperarmos mundanamente o paraíso perdido lá atrás por Adão. Quando puro e perfeito, recém-saído das mãos do Senhor, Adão não estava sob o jugo de nenhuma das três horríveis libidos. Não estar sob o seu domínio é o que define o homem inocente, nosso ancestral originário. E sofrê-las é então a marca do homem corrupto, da prole adâmica, nós.

O mentor do projeto “Paraíso Reconquistado”, mistura de parque temático soteriológico e reality show bíblico, tem em vista mostrar que não é preciso esperar pela vida eterna, que ele pode ser recuperado hic et nunc. Ou melhor, poderia. Já que há um grave problema com a libido dos sentidos. Homens e mulheres do Éden Artificial vêm se comportando muito bem com respeito às outras duas, porém continuam tão eróticos quanto o mais corrupto dos filhos de Adão. A corrupção evidencia-se pela turgidez inesperada que ocorre nos habitantes do sexo masculino. O que preocupa é que, segundo as descrições do paraíso natural, o Adão pre-lapsário, por estar fora do alcance da libido sentiendi (a dos sentidos), tinha controle absoluto sobre o próprio pênis. Controle que só foi perdido quando foi perdido o paraíso. Assim, enquanto existirem ereções involuntárias em ‘Éden II’, este continuará sendo um arremedo de paraíso, e a tese do seu criador seguirá sem qualquer crédito.

Postado por Marcelo Rota em 11:59 AM | concupiscíveis | Comentários (2)

outubro 2, 2005

RESUMO

Este artigo apresenta alguns dos resultados da aplicação do Algoritmo de Compreensão de Textos (ACT) na fixação da referência de pronomes retos e oblíquos. O texto selecionado para este fim foi o da tradução de Mário Quintana para o português do romance de Marcel Proust “Du côté de chez Swan”. É mostrado como o programa, escrito em prolog no Arity Prolog 5.1, após ter recebido como entrada, além do texto integral, a lista completa dos nomes próprios nele presentes, exibe como saída a indexação exaustiva dos nomes próprios a cada uma das ocorrências pronominais do texto. Por fim, é apresentado o cotejamento dos resultados obtidos pelo ACT com o de leitores humanos. Para este teste foram recrutadas cinquenta pessoas com curso superior na área de ciências humanas para realizar a leitura do texto de Proust no ritmo de setenta e cinco palavras por minuto. O índice de acertos na fixação da referência pronominal do programa foi de 87%, ao passo que o do grupo de pessoas foi de 77%.

Postado por Marcelo Rota em 10:00 AM | Comentários (2)