« junho 2005 | Principal | agosto 2005 »
julho 29, 2005
ASNEIRA, BESTEIRA, MULEIRA E BURREIRA
Há tempos não pensava em Pinocchio. Deveria ter continuado sem pensar. Mas, ao menos no Walt Disney, se Mnemosyne adúltera não me trai, existia um parque de diversões para onde os bambini eram atraídos com a promessa de montanhas-russas e algodões-doces para, ao final, entretanto, ganharem orelhas e rabos de asno e todo o resto da anatomia do animal. A universidade brasileira é assim.
Postado por Marcelo Rota em 5:18 AM | Comentários (2)
julho 26, 2005
O CANECÃO CARCOMIDO PELO CARCINOMA
Tenho um canecão de uns 1,5 litros que estampa a admoestação
PRESERVE THE POSSIBILITY
Ou estampAVA. Tenho saudades do dia em que ganhei o canecão, quando o mundo era claro e o futuro, negão.
O primeiro a desbotar foi o P de PRESERVE. Mas reservar a possibilidade ainda me pareceu bom e uplifting. Apesar de, admito, preservar soar melhor do que reservar, que sugere o trabalho de ligar para a companhia aérea.
Os cupins, enquanto isso, iam desfigurando a mesa de jacarandá da sala. As traças, a minha biblioteca. E não sei quanto mais de fumaça venal meus pulmões serão capazes de acumular antes da débâcle. Peguei da estante a Divina Comédia. Alguma operária dos escalões inferiores da litosfera fez ali um trabalho de arte. Um perfeito orifício, o diâmetro do cu de uma barata, que começa no Inferno e termina no Paraíso. Entretanto, não posso saber ao certo se ela seguiu a ordem de apresentação do livro ou inverteu-a. Ela pode ter iniciado no paraíso, passado pelo purgatório até sair pela cloaca do inferno. Incontáveis as letras digeridas durante a trajetória pela leitora onívora.
Hoje o canecão está assim:
SERVE THE OSSIBILITY.
***
If I were to wish for something, I would wish not for wealth or power but for the passion of possibility, for the eye, eternally young, eternally ardent that sees possibility everywhere. Pleasure disappoints; possibility does not. And what wine is so sparkling, so fragant, so intoxicating!
Postado por Marcelo Rota em 12:43 AM | não há nada além | Comentários (0)
julho 25, 2005
RUFINO E CAROL
Certa vez o blobeiro Rufino, assim chamado em homenagem à poetisa Cora Coralina, cujo último sobrenome, e o único que não dá eco, é "Rufino", ainda que poucos saibam disso -
Certa vez Rufino escreveu um conto intitulado "O Professor". O professor era de física e gostava de contar piadas aos alunos. O tema mais freqüente das piadas, depois daquelas sobre professores e físicos, era o dos suicidas. Em uma das aulas disse aos alunos que, caso fossem degolar-se, por favor antes envolvessem a cabeça em um saco plástico fechado com hermetismo. "Se não fizerem isso, vai ficar a maior lambança", acrescentou. Todos riram.
No dia seguinte ao chegarem para a aula os alunos souberam. E a gente que leu o conto do Rufino soube antes dos alunos. Alguns, mais velozes, ao final do parágrafo anterior, outros, lentinhos, na primeira frase deste. Era previsível o dénouement surpreendente, apesar do próprio Rufino achá-lo apenas surpreendente.
É pobre o escritor que tenta surpreender seus leitores com um final previsível. Foi por ter afinal descoberto isso através do comentário deixado sobre o post "O Professor" por Carol, outra bobeira, que Rufino ensacou a cabeça e passou a navalha, tal como o professor de física do seu conto.
A notícia de Rufino escorreu por jornais e bobosfera. Carol escreveu no seu bode que achou tudo muito previsível. Carol, aliás, tem um namorado a quem sempre irrita com este comentário. "Previsível", diz sempre que ele tenta lhe causar algum divertimento, como na ocasião em que disse "Cara Carolina linda carolíngea". E ele se sente como se recebesse uma baforada do cigarro de Carol nos olhos e narinas, ainda que ela sempre sopre a fumaça para cima, os olhinhos fechados, educada e entediada.
Postado por Marcelo Rota em 9:09 AM | cigarro | Comentários (1)
julho 22, 2005
ASDLASDLASDASL

Reparem como o meu super-herói é maior do que o do Alexandre
Postado por Marcelo Rota em 5:00 PM | Comentários (1)
julho 20, 2005
O MEU CONTO ESPIRRADO EM LOVECRAFT
Sim, vamos escrever. Não a primeira coisa que me passou pelo crânio. Esta vocês jamais saberão. A segunda, entretanto, conto:
Tive um professor cujo nome era "Paulo Pinto". E foi este o nome que coloquei no trabalho. Dias depois ele me chamou no canto e pediu para tirar o pinto e colocar o nome do meio. Todo Pinto tem vergonha de si mesmo. Os Pinto Jr nem saem de casa.
A terceira:
Ipanema, como sabem, é o lugar da flânerie. Não só pelas passantes que não ajeitam os cabelos quando você olha para elas. As de Copacabana, inseguras, ajeitam.
Não só as mulheres, também as livrarias de Ipanema são melhores. Lojas de concupiscência, café, lombos e lombadas aromáticas. O flâneur entrou em uma delas. Perguntou ao balconista se tinham "AS Bergamotas de Bambuí" de Marcelo Rota. Você sabe qual é a editora? Adrogué, respondeu.
- E "As Viúvas Lindas do Vinhedo" de Antônio Athayde?
Eles não tinham nada. O flâneur então foi circular entre as prateleiras. "A Arte de Furtar" eles tinham. De um anônimo do século XVIII ou XVII. Nem direitos autorais precisavam pagar. Ao lado estava "Matadouro 5" de Kurt Vonnegut. Fosse pego teria o álibi da practical joke. "A Arte de Furtar". Roubei para dar de presente ao presidente, foi uma das coisas que pensou como witticism. Porém, para o "Matadouro 5" não havia uma justificativa tão direta. Mesmo assim enfiou ambos no bolso largo do casaco e acendeu um cigarro.
- Senhor, não é permitido fumar no interior da loja.
Pediu desculpas e saiu. Choviam aranhas alienígenas do céu de Ipanema. Deu um passo atrás quando, como um trem em chamas, uma horda de mulheres nuas passou gritando pela Visconde de Pirajá. Atrás delas, Vinicius de Moraes cavalgava um trípode. "Trípodes são aranhas bêbadas", pensou o flâneur.
Postado por Marcelo Rota em 1:00 PM | Comentários (2)
julho 17, 2005
POST COM TROCADILHOS EXCELENTES
Hoje recebi este spam cujo texto começa assim:
Dear Friend.
As you read this, I don't want you to feel sorry for me, because, I believe
everyone will die someday.
Não colo o resto, mas resumo. É um empresário árabe que, no processo de ficar milionário, conquistou para as suas células o velho e bom câncer. Não que esta seja a doença dos plutocratas ou que ela venha como conseqüência do acúmulo de dinheiro. Apenas a... não a ´fatalidade´, como alguns teriam escrito, mas apenas a gratuitade de sempre. Carcinomas são gratuitos, absolutamente gratuitos, não é preciso gastar nada com um. Mas, como eles são a anarquia das células, e o corpo do indivíduo, a fim de que a coletividade das células funcione em perfeita orquestração, precisa ser marxista, a metástase representa o fim do Estado. O corpo morre, meu filho, foi isso o que quis dizer. Exatamente o que está ocorrendo com o do árabe que, coitado, não possuindo herdeiros, pede os meus dados bancários a fim de que possa doar para mim o que ele não vai poder carregar para o túmulo. Quer deixar no aquém, a quem quiser, o que não vale além.
Outro spam que recebo com freqüência é o do
Authentic F.emale E.jaculation Movies! Shocking!
A sorte é que eu, como o árabe, também tenho esta crença, a de que todos morreremos um dia. Além disso, o aquém, Alá do qual nada.
Postado por Marcelo Rota em 3:08 PM | não há nada além | Comentários (0)
julho 16, 2005
FOLLIE!
Angela Gheorghiu, romena e soprano, é bonita de morrer. Não canta tão bem, mas é de matar e morrer.
(Ou)via o Réquiem de Verdi regido pelo Abbado com ela de soprano e, sempre que cortavam para a conterrânea do Drácula, podia estar até no ácumen do 'dies irae', mas toda aquela massa sonora recuava e tornava-se muzak para a visão do decote.
(Ou)via La Traviata regida pelo Solti: lá está ela novamente, mudando de figurino de acordo com os atos e cenas, para no último surgir doente, febril, pálida e agonizante em uma camisola branca. Sua personagem, a Violetta, tem então um último e desesperado surto de vivacidade, durante o qual corre pelo palco de braços abertos para, em seguida, cair morta nos braços de Alfredo, seu amor. As instruções do Verdi para esta cena foram: "Violetta correr em círculos como um anjo bêbado, mortal e moribundo." E foi como foi. Ainda que anjos sejam abstêmios e imortais.
Porém, mais um parágrafo para os decotes. É nesta área, na, digamos, zona do colo, que fica a cintura toráxica. O conjunto da Gheorghiu aí é perfeito: a clavícula na escápula, a escápula no úmero, à esquerda e à direita, em magnífica simetria bilateral, encaixados como se nem estivessem encaixados, mas pintados, e revestidos por um filme, película irrealmente branca e lisa. Que pele, que ossatura, que pneuma! Preciso parar antes que faça pior do que exclamar, antes que faça um poema.
***
Aliás, se são imortais, não deveriam ser abstêmios. Porém, sendo anjos, mesmo se alcoólatras, não se embriagariam nunca, suponho.
***
Foi Voltaire, se me não engano, quem perguntou retoricamente, se bem lembro: "Quando o corpo bebe é a alma que fica bêbada?"
***
Anjos a princípio não têm fígado. Um deles surgiu, embaixador de Iavé, para Abrãao e exigiu-lhe o sacrifício do filho Isaac. O Patriarca, com a pujança de sua fé, arremessou contra o anjo a lança. Certeira, perfurou o fígado da criança. A bile de Iavé, luminescente, incendiou os céus.
Postado por Marcelo Rota em 2:43 PM | Comentários (3)
julho 14, 2005
ROGER & OLIVE EM
FOTOBLAGUES
OU
FOTOBLOG
OU
FOTOGAG
OU
Mas na verdade é Bloguemotion. Quer dizer, Blogmotion. O que importa é que eles são lindos.
Postado por Marcelo Rota em 12:34 PM | Comentários (0)
julho 12, 2005
SDFKSDFSKDFSK
É apenas por polidez que saúdo o ingresso de Filthy McNasty.
.
.
.
Acabaram de me avisar que é falta de educação explicitar a polidez. Entretanto, retruco, a verdade é que nem sei quem é esse cara.
.
.
.
Lerei, prometo.
Postado por Marcelo Rota em 3:00 PM | Comentários (5)
julho 6, 2005
VOVÔ TOLSTÓI É FOFO

Postado por Marcelo Rota em 4:03 PM | Comentários (2)
julho 5, 2005
NOTINHAS PARA MIMSELF (6)
A primeira meditação de Coltrane é melhor do que a última de Descartes. Justificar.
***
Exercício de convergência. Título provisório: "As Três Trindades: Messiaen, Descartes e Coltrane".
Méditations sur le Mystère de la Sainte Trinité, composição para órgão solo de Messiaen,
The Father and The Son and The Holy Ghost, de John Coltrane,
e Le Pére, Le Cogito et Le Ego Sum, de Descartes.
***
Para incluir o Ícone da Trindade de Andrei Rublév, excluir uma das três anteriores.
***
Incluir a excluída em uma nota de rodapé, explicando o porquê da exclusão.
***
Ou então profanar o título para "A Tédrade da Trindade: Rublév, Messiaen, Coltrane e Descartes".
Postado por Marcelo Rota em 4:20 PM | notinhas para mimself | Comentários (2)
julho 4, 2005
ASDKASDKASDKASDK
1. O Mundo é tudo o que é o caso
1.1. Se você precisa fazer algo, peça para outro.
2. O que é o caso, o fato, é a existência de estados de coisas.
2.1. Nunca deixe para amanhã o que você pode procrastinar hoje.
2.1.1. Caso tenha muitas tarefas a cumprir e não saiba por onde começar, comece pela masturbação.
2.1.2. Sempre suponha que vai dar certo, mas, caso não dê, culpe Adão.
2.1.2.1. Se não encontrar uma solução, não mude as regras: aborte.
2.1.2.2. Caso não possa fazer nada a respeito de algo, não diga "o que não tem remédio remediado está", diga "查看我的种子/预备队信息"
3. A figuração lógica dos fatos é o pensamento.
3.1. Ouça sempre o seu coração e converse com ele em voz alta enquanto caminha pela rua.
3.1.1. Dê um nome feminino a ele: "Cordélia", por exemplo.
3.1.1.1. Cordélia: “And what about MY needs?”
3.1.1.2. “Cordélia, meu amor, desculpe, você tem razão... você tem razões que eu mesmo desconheço.”
3.1.2. Siga sempre o seu rim direito, na verdade, corra, antes que o traficante de órgãos suma de vista.
4. O pensamento é a proposição com sentido.
4.1. Se alguém estiver lhe perseguindo, suba pela escada.
4.1.1. Quando chegar ao alto, não jogue a escada fora, pois o perseguidor pode reaproveitá-la. Puxe-a.
5. A proposição é uma função de verdade das proposições elementares.
5.1. jlkjlkjlkjlkjlkj
6. A forma geral de uma função de verdade é [p, ξ, N(ξ)] .
7. Sobre o que não se pode falar deve-se calar.
Postado por Marcelo Rota em 7:46 PM | Comentários (3)
POR QUE OS HERDEIROS DE VALTER BEIJA-MIM FICARAM RICOS COM O ESPÓLIO?
Uma das coisas mais importantes do Jornal Nacional é a possibilidade de "dar voz", de mostrar em pé de igualdade os indivíduos de todas as classes e grupos, permitindo aos excluídos exprimirem o teor de sua humanidade, que de outro modo não poderia ser verificada.
Antônio Cândido - O Globo - 1996
Sobre a opinião de Antônio Cândido acerca da literatura neste trecho a única afirmativa incorreta é (ESAF/1998):
A ( ) Os banqueiros devem ser excluídos dos programas de fomento à cultura.
B ( ) A ficção literária brasileira é exclusivista.
C ( ) Literatura é ler sobre os que não sabem ler.
D ( ) Os mendigos, as prostitutas e, inclusive, os negros devem ser excluídos dos livros.
E ( ) É a mesma do Alfredo Bosi.
Postado por Marcelo Rota em 1:40 AM | Comentários (0)
julho 1, 2005
DSFSLDFSLFSDFLSD
A estabilidade do servidor público.
Postado por Marcelo Rota em 11:58 AM | Comentários (1)