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junho 23, 2005
ADOPTABLOG
If you are from China, I'm willing to adopt your blog, whoever you are. It doesn't even matter if you´re not Zhang Ziyi. Really.
Postado por Marcelo Rota em 2:14 PM | Comentários (4)
ASKDASKDASDKASKDA
Eu já falei que jamais escreveria sobre sonhos. E agora falo outra vez:
do sonho que tive: nele sou um humorista cujas piadas ninguem entende e que, além disso, nao entende as dos outros humoristas concorrentes e menos ainda o porquê destas serem entendidas por todos os que não entendem as suas.
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Para ser preciso, não foi um sonho, mas uma piada que inventei enquanto sonhava. No sonho eu ria muito. Mas, desperto, quando lembrava do sonho, achava a solidão do humorista da piada muito triste.
Postado por Marcelo Rota em 12:04 AM | Comentários (0)
junho 21, 2005
LIBIDO DOMINANDI
Entendi melhor a doutrina agostiniana das três libidos e, mais especificamente, a libido sciendi no que ela tem em comum com a sentiendi quando a que viria ser a minha primeira namorada dos tempos de faculdade aproximou-se de mim para ver o que estava fazendo com o guardanapo. Era a Fita de Möbius, exemplo de superfície com um lado só, expliquei-lhe, enquanto ela, com carinha de perplexa, seguia com o indicador o contorno da fita. Mais tarde descobriríamos, entre um gestalt switch e outro, a figura L-P de Wittgenstein, o Cubo de Necker e a Escada de Drury, e ainda o maravilhoso mundo do Triângulo de Sierpinski, da Curva de Peano e dos Sólidos Rotatórios de Schleiermacher. Como era o tipo do conhecimento inesperado no cenário de um curso de ciências sociais, o efeito que resultava de exibi-lo era muito útil ao seu portador. Em todos os contextos sociais são sempre os símbolos de status que conferem poder de sedução. Em alguns deles é um carro importado que dá direito à fruição. O carro importado dos intelectuais é a erudição.
Ou erosdição, como disse mais tarde à que, convencida pelo trocadilho e pelo name-dropping, se tornaria a segunda enquanto contava-lhe como havia conhecido a primeira. Não lhe escondi nada, nem o meu latim. Kierkegaard fala da ‘sinceridade dos mentirosos’, que é aquela franqueza estratégica que adotamos a fim de ostentar para o outro uma lisura de caráter que o convença a gostar de nós. Falei-lhe inclusive da sinceridade dos mentirosos, noção kierkegaardiana, e ainda que o “carro importado dos intelectuais é a erudição”.
Postado por Marcelo Rota em 1:02 AM | concupiscíveis | Comentários (2)
junho 20, 2005
POLL: QUAL O MELHOR NOME/SLOGAN PARA UMA EMPRESA DE GHOSTWRITING?
CasperWriters Inc., writer than the whitest!
CasperWriters Inc., better than sex.
CasperWriters Inc., the clever way!
Casperschreiber, organizamos seus pensamentos.
Os Abantesmas Ltda, assombramos suas idéias.
Espectrografia S. A., você pensa que escreve, a gente escreve o que você pensa.
Shadowgraphers Inc., a sombra de suas palavras.
Kardec Editores, psicografe-nos: chicoxavier@emmanuel.com.
Casper Writers Sociedade Anônima, the Kardec way!
Casper Writers, Sociedade Anônima e Desencarnada.
Postado por Marcelo Rota em 4:24 PM | Comentários (0)
junho 18, 2005
AS CRÔNICAS DE CRÓVIS
"What is good is also divine. Queer as it sounds, that sums up my whole ethics." said Wittgenstein.
That's why you're The Queerest Philosopher, auntie Witty.
Postado por Marcelo Rota em 12:45 PM | Comentários (1)
junho 17, 2005
O MESTRE
Eu só queria encontrar alguma coisa especial, um ideal. E então eu viveria para esse ideal. A vida então valeria a pena.
Meu jovem, não. Você teria que morrer por um ideal assim, que fizesse viver valer a pena. E, acredite, não vale a pena. Mas, se valesse, seria a de morte.
Postado por Marcelo Rota em 1:33 PM | Comentários (2)
junho 13, 2005
O MUNDO DA POESIA
Vi uma ceguinha holandesa chorando em um banco da Praça Serzedelo Correia. "Por que choras, ceguinha?, perguntei. "Não choro, são minhas lágrimas que choram
com saudades dos meus olhos" (este é o ponto em que o mundo ficou poético)
Levei a ceguinha linda para casa
E descobri que Deus não existe
Por não ter com fúria me cegado
pelo que lá fiz com a ceguinha.
Postado por Marcelo Rota em 9:17 AM | Comentários (0)
junho 12, 2005
ASDLASDASLDASDLPERRITDK
Eu não leio os jornais. Só as manchetes. É importante para conversar com as pessoas com quem mantenho uma relação instrumental, as pessoas do mundo distante de mim, do mundo social. Essas pessoas precisam me achar simpático e, assim, tornam-se fontes de renda para mim. Essa do "mensalão" então foi ótima. Pergunto para elas: "E aí, já recebeu seu mensalão?" Falar sobre política é o grande prazer dos idiotas. Elas falam, eu escuto. Roubei de um colunista social o trocadilho "sai a lei do Gérson, entra a do Jéfferson", frase, aliás, que recolhi da chamada de capa da coluna sem a necessidade de embrenhar-me nesta. O interlocutor ri e gosta mais de mim por causa disso.
Postado por Marcelo Rota em 9:00 AM | Comentários (8)
junho 11, 2005
DE NOVO A MORTE DE PESSOAS ESTRANHAS EM PAÍSES ESTRANHOS
Ao acordar, bem, despertar é sempre uma chegada ou uma partida, não é? De um mundo para outro em um trem intergalático. Só que, como acontece todos os dias, como quem vai e volta do trabalho de metrô, a perplexidade da viagem é anulada pela sua banalidade. Então, ninguém pensa em trens ou linhas de ônibus intergaláticas (que bobagem) para descrever a sensação de acordar.
Ao acordar tenho um desprezo gentil e embaçado pela vida humana. Leio bocejando o site de O Globo e a manchete "Ao menos 30 chineses morrem em incêndio". Nem me interessam as circunstâncias do incêndio. Só sei que leio o 'ao menos' como um ao menos em itálico. Ao menos trinta chineses morreram. E se tivessem sido trinta tigres brancos? Não sei quantos há, mas são poucos e, se tivessem morrido trinta, talvez até tivesse morrido o penúltimo da espécie. E então sobraria um triste tigre branco. Mas os chineses, pô!
Depois passa. Na verdade já passou enquanto escrevia este post. Agora, totalmente desperto, amo todo o povo da china e me sinto capaz de matar um tigre, branco e feroz, com a ponta afiada de um lápis Faber-Castell.
Postado por Marcelo Rota em 9:09 AM | Comentários (5)
junho 10, 2005
LUDOVICO
quando criança experimentou colocar um dado, que na verdade era um dadinho bem micro, de algum jogo que existia naquela época, início dos anos oitenta, pois então: experimentou colocá-lo na narina esquerda. Fechou os olhinhos e inspirou profundamente.
Dois anos mais tarde, quando tinha dez, ele iniciou um breve período em que odiava calcinhas e suas manchas misteriosas. Pegou as da irmã mais velha e, com o isqueiro do pai, ia acendendo uma por uma e jogando-as em chamas no telhado que ficava sob a janela do seu quarto.
Um ano depois inventou o lança-chamas de desodorante. Borrifava o produto enquanto mantinha um fósforo aceso à frente. Fascinava-o a pirotecnia que produzia diante do espelho do banheiro. Mas os orifícios, claro, começaram a derreter, produzindo um entupimento. Ludovico apertou com força a barriga do desodorante. A parte traseira cedeu e uma grande chama odorífica foi expelida pela culatra. Ficou parecendo um quaker a protestar contra a guerra do Vietnã, pacífico e em chamas, sob a janela do escritório de McNamara, Secretário de Defesa dos EUA.
Postado por Marcelo Rota em 6:38 AM | Comentários (0)
junho 7, 2005
ASDLASDLASDLASDLASuu
- (estendendo a mão) Fora os meus solilóquios, você é o primeiro gênio com quem converso.
- (suspirando e dando meia-volta) Eu só tenho os meus solilóquios...
A mão, depois de ficar suspensa por alguns instantes, caiu sobre a poça de sangue.
Postado por Marcelo Rota em 9:51 AM | Comentários (1)