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janeiro 31, 2005

ASDLASDALDASDASDLASDASDAS

Gosto de ler sinopses. Já parou para pensar? Eu não, gosto de pensar andando, mas você já parou pra pensar que são raras as sinopses piores do que os livros que representam? Esta aqui é de "Liubov" (Love), de Neverov:

Uma flor declara seu amor por uma borboleta mas é rejeitada.

Neverov está entre estes artistas destinados a produzirem obras ruins e que, entretanto, geram sinopses geniais. Outra dele, de "Zhuk, Poluchivshii Svobody" (Um Inseto a Conquistar sua Liberdade):

Mulher entediada aproxima dedo da formiga que passeia pela mesa, mas, milímetros antes do esmagamento, o inseto grita com a voz do seu marido morto. Passam a noite conversando e, quando amanhece, ela o mata com a ponta do lápis.

Para terminar, "Schastye" (Felicidade):

Homem tenta encontrar felicidade em bens materiais: um porco, um gramofone e, depois, uma cama. Mas tudo o decepciona e, no final, ele morre - abandonado pelo porco, a cama com percevejos e o gramofone a tocar Kalinka, Kalinka, Kalinka, Kalinka, Kalinka...

Postado por Marcelo Rota em 3:05 AM | Comentários (3)

janeiro 24, 2005

VINTE LINHAS POR DIA

Não consigo me obrigar -

Obrigar-me até consigo, só não consigo cumprir a obrigação. Mas, se fosse possível, escreveria sobre temas como o dos gelos saltadores. Posso não escrever vinte linhas todos os dias, mas, todos os dias, torço, em diversas ocasiões distribuídas entre manhã, tarde e noite, torço formas de gelo. E os cubos pulam. Uns para o chão da cozinha, outros para a pia. Estes eu utilizo, mas os outros despeço com um chute direcionado para o vão sob a máquina de lavar. Derretem e evaporam na penumbra, uma vida dissipada, uma vida perfeita.

O circo nasce do ócio. O Globo da Morte é aquele número no qual motociclistas circunavegam a parte interna de uma esfera. A quantidade de tédio necessária para o inventor do Globo da Morte ter concebido o número, será que ela é maior do que a dos motociclistas e esta maior do que a dos espectadores? Há tédio em todos os registros do circo, na audiência, na criação e na prática.

Alguns dos cubos saltam altura considerável e, se coordenar meus movimentos com precisão, talvez possa, enquanto seguro a forma com a esquerda, pegar um deles com a direita. Seria o meu número.

Postado por Marcelo Rota em 2:12 PM | Comentários (1)

janeiro 17, 2005

PARES DE PREMISSAS A PROCURA DE UMA CONCLUSÃO

Calígula nomeou cônsul o seu cavalo.

Milhares de brasileiros são nomeados servidores públicos todos os anos.

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Todas as mulheres, quando os homens lhes perguntam a idade, gostariam de dizer "Dois patinhos na lagoa".

Todos os homens gostariam de viver em um mundo onde todas as mulheres fossem sempre assim: ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~2~2~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~.

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Toda religião é esperança de continuidade de existência em outro mundo.

Napoleão disse que o mundo ficaria aliviado depois de sua morte.

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Ele vê um inseto quicando no vidro da janela e pensa: "A Condição Humana...", enquanto projeta o lábio inferior e balança positivamente a cabeça.

Ela comprou o livro só por causa do título: "A Condição Humana".

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A cunhada do tio de Carlinhos fez sexo com Carlinhos.

Carlinhos tem um único tio.

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Todo leitor de blog é burro.

Menos um.

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O sábio disse: "Veja bem:"

E não disse mais nada.

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Quando a conheceu, ela usava uma estola de mink. Mas, então, nem sabia o que era "estola de mink".

"Estola de mink, estola de mink", ficou repetindo para si mesmo quando lhe disseram o que era aquilo.

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Sócrates é mortal.

Jesus ressuscitou.

Postado por Marcelo Rota em 5:14 AM | Comentários (0)

janeiro 13, 2005

TSUNAMI APPEAL

O meu vizinho samurai pediu que lhe destacasse a cabeça do corpo logo depois que ele retalhasse o próprio ventre.

Olha para mim, não tenho força e perícia nem para decapitar uma galinha morta. Se você fosse uma lagartixa eu te descaudaria, mas olha o diâmetro do teu pescoço. Você malha demais. Quem você pensa que é, o Mishima? Pelo menos deixou algum romance? Se quiser posso encaminhá-lo a uma editora, depois que suas tripas saltarem pra fora. Olha, por que você não usa uma guilhotina? Inverta a ordem do ritual. Primeiro perca a cabeça e aí depois prometo externalizar suas entranhas. É mais fácil para mim, já que um dos meus antepassados romanos foi harúspice.

Postado por Marcelo Rota em 10:12 AM | Comentários (0)

janeiro 12, 2005

ASKDASKDAKDASKDASK

Parece tão fácil para certas pessoas. Já tentei ler livros, muitos, mas nenhum promoveu este ponto de inflexão de que tantos desfrutam. A arte é superestimada.

Precisaria de um trauma craniano, como o de Borges ao dar cabeçada em uma quina qualquer. Giacometti foi atropelado e passou a ver o mundo com as cores trocadas, um mundo muito mais interessante do que o anterior. Ou, quem sabe, ouvir vozes. Joana D´Arc, Sócrates, Swedenborg, todos ouviam. Eu, entretanto, só disponho de uma, de balconistas e caixas: "Crédito ou débito?", perguntam-me todos os dias. Nenhuma, entretanto, interior, que me recrute para missão importante e divina, como no caso da Joana, ou que me proíba de tomar decisões erradas, como no de Sócrates. A não ser, claro, a do vulgar fluxo mental, polifonia indistinta e inútil. Pascal viu sob os pés um abismo, desmaiou e, quando acordou, tudo estava diferente. Eu vejo um cocô de cachorro e desvio.

Postado por Marcelo Rota em 5:48 AM | Comentários (1)

janeiro 10, 2005

ASSDLASDLASDASL

Um dos problemas do excesso de calor é a falta de assunto. "Como está quente hoje" é a única coisa que o calor me deixa pensar.

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Algumas variações sinonímicas são ridículas e gratuitas. Como "canícula" para não escrever "calorão". Ou "entrudo" no lugar de "carnaval". São típicas de autores de colunas de jornais. Aposto com vocês que neste carnaval toparemos com alguns entrudos na folha de são paulo, globo, estadão ou jotabê.

Postado por Marcelo Rota em 3:45 PM | Comentários (0)

janeiro 8, 2005

PELÍCULAS

Como o hímen da irmã rompido no linóleo da cozinha pelo amigo americano enquanto o irmão gêmeo dela faz ovos fritos.

Eu, como o Alexandre, vi The Dreamers do Berlusconi. Teria gostado do filme em geral, e não apenas das cenas _______, se os diálogos não fossem tão clichezentos. Teria perdoado os diálogos clichezentos se eles estivessem ali para mostrar a idiotia geral de uma década estúpida, no mês e lugar mais superestimados desta década, maio de 68, Paris.

Entretanto, é evidente que o personagem que no filme deveria representar a consciência crítica daqueles tempos e da debilidade mental dos irmãos, o americano, é só um pouco menos constrangedor do que o resto. Mesmo ele profere patetices típicas da época como "eles fazem violência, nós fazemos isso!". E dá um beijo na boca do irmão da moça do hímen, última tentativa de convencê-lo a não arremessar um coquetel molotov contra o pelotão de policiais.

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E como Before Sunset. Mas deste eu gostei, apesar de Julie Delpy cantar muito mal. Talvez por isso mesmo. Ela também faz uma imitação ruim, mas perfeitamente graciosa, de Nina Simone.

A sinopse: nove anos depois do primeiro encontro, quando se apaixonaram enquanto deambulavam pelas ruas de Viena, o americano e a francesa encontram-se novamente, agora aos trinta e poucos, em Paris.

Meu gênero preferido: filmes talkativos. Ethan Hawke e Julie Delpy falam e falam enquanto andam pelas ruas de Paris. A decupagem é mínima. Não cronometrei, mas acho que às vezes o intervalo entre um corte e outro chegava perto dos dez minutos, uma fluvialidade perfeita para os diálogos. Talvez por isso o filme tenha conseguido sincronizar, coisa rara de acontecer, as minhas emoções com as das pessoas da tela. Sempre que Julie Delpy sorria, eu sorria. E o Ethan também.

Postado por Marcelo Rota em 12:59 PM | Comentários (0)

ASSDLASDLAD

Perdi a vontade de escrever depois de ter publicado um post no qual fundia Brooke Shields e Nastassja Kinky. Mnemosyne é arqueóloga incompetente, principalmente quando escava sítios da minha adolescência etrusca.

Quem teve a virgindade leiloada em bordel e viveu na lagoa azul com um tenista foi a Brooke Shields. Já o restante dos fatos estão corretamente vinculados à filha de Klaus Kinky.

Os créditos da separação, das lindas gêmeas da minha memória, vão para o Mercuccio.

Postado por Marcelo Rota em 3:30 AM | concupiscíveis | Comentários (0)

janeiro 5, 2005

EU ME PERDI EM ALGUM PONTO DA SAGA DOS KINSKI

Estranho só hoje ter descoberto que a filha do Klaus Kinski, aquele malucão, tinha uma filha.

Klaus --> Nastassja --> Sonja

Outro dia revi "Aguirre, a Cólera dos Deuses" e achei muito ruim, como da primeira vez. A partir dos trinta é comum rever, reler, retc porque a gente tem a esperança de mudar de opinião e assim se descobrir diferente de há quinze anos. E também porque a gente esquece.

O Klaus Kinski consegue ser a cólera dos deuses sem fazer nenhum esforço. Como um anão fazendo um papel de um anão, ou uma pedra representando uma pedra. La physique et la psyché du rolê.

Eu me sinto discreto, quase invisível, escrevendo entre estas duas fotos.

nastassja_sonja.jpg

Mulher nua com cobra é tão velho e ridículo quanto é viadão na Lagoa Azul. Mas é a Sonja, neta do Klaus, pai da Nastassja, aquela família mais desestruturada do que o futebol brasileiro, incesto total.

A Nastassja teve a virgindade leiloada em bordel mas foi devolvida à caftina porque o comprador, ao não encontrar hímen nenhum, que já estava há muito com Klaus, quis o dinheiro de volta. Depois ela foi redeflorada em Tess pelo Polanski. O Polanski, violador de meninas impúberes e víuvo de Sharon Tate, imolada pelo culto de Charles Manson. Casou com Agassi e, enquanto o casamento durou, o ranking da ATP foi o único em que ele não subiu, mas foi só separar que voltou a subir. Case com uma Kinski e fique impotente no tênis. No tênis. Da Sonja Kinski, contudo, não sei nada: em algum ponto eu me perdi na saga dos Kinski. Ela é filha da Lagoa Azul ou do Malcolm McDowell? Não, seria mais velha. Do Agassi, então.

Postado por Marcelo Rota em 6:28 AM | concupiscíveis | Comentários (4)

janeiro 4, 2005

EXIT, PURSUED BY A POLAR BEAR

O único mamífero que tem o homem como presa natural é o urso polar. É o maior carnívoro terrestre. Entretanto, são simpáticos bebendo Coca-Cola. A peça de Shakespeare, "Conto de Inverno", inclui uma famosa instrução de palco:

Sai, perseguido por um urso polar

Postado por Marcelo Rota em 2:31 PM | Comentários (0)

janeiro 1, 2005

POST FOR THE ROYAL FIREWORKS

As coisas evidentes não precisam ser anunciadas com fogos de artifício.

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Exemplo de coisa evidente: fogos de artifício. De coisa tênue, quase inexistente: ano novo.

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Experimente celebrar a chegada dos fogos de artifício com ano novo. Não dá.

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Outro exemplo de coisa evidente (e que dispensa fogos de artifício): mulher pelada. De coisa débil, quase existente: amor. É por carecer de evidência que o amor precisa da pompa e da circunstância do casamento.

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Da mesma forma a justiça precisa de magistrados de borla e capelo. Sem isso passaria desapercebida.

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A sabedoria, do diploma.

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A fé, de catedrais.

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Caralho, o palavão prescinde do negrito.

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Mas o mérito não dispensa o troféu. A honra, as honrarias. Etc.

Postado por Marcelo Rota em 6:00 AM | Comentários (3)