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setembro 22, 2007
2. NADA FAZER É O NIRVANA
Não deveria haver nenhuma dúvida de que, em todos os casos, não fazer nada é melhor do que a alternativa. O mundo ideal é feito da abstinência volitiva generalizada. Como se Deus não tivesse descansado apenas no sétimo dia, mas também em todos os outros. O mundo real é feito do remorso divino de não ter feito nenhum da infinidade de outros mundos que poderia ter feito.
Vejam que quando escrevo causo grandes perdas. Provoco uma comoção para cada palavra que fica atrás da ponta esferográfica. Na sentença anterior foram doze gatinhos que morreram no céu das possibilidades. Escrevo cadáveres de gatinhos.
Notem que escrever resulta sempre em perdas. Causo uma pequena tragédia a cada palavra que se forma antes da barra de inserção. Na oração que antecedeu esta há quinze cadáveres de gatinhos, mortos ao despencarem do paraíso dos possibilia. Escrevo "cadáveres de gatinhos".
Mas quando eu não faço
nada é uma grande paz, é o Nirvana.
Postado por Marcelo Rota em setembro 22, 2007 1:30 PM | cadáveres de gatinhos