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fevereiro 4, 2007
A TROIKA SUPERSÔNICA
...que é só um título de post. Poderia ser também o nome de uma novela de ficção científica publicada durante O Degelo de Khruschev. Mas não é, é só um título de um post que não reflete o seu conteúdo.
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A escritora Cujo Nome Esqueço venceu o prêmio Casa das Américas na categoria Literatura Brasileira. O livro de mil páginas narra o espetáculo da escravidão do ponto de vista da protagonista, escrava cujo nome também não lembro. Ricos nunca sabem se se aproximam deles por interesse. Mas, por cautela, supõem que sim. Quem escreve sobre temas bonzinhos e corretos é assim também: "Será que gostam de mim ou do meu tema?". Entretanto, seu amor-próprio não permite cautela e, assim, pressupõem que as pessoas os amam. Sim, os ricos tem menos amor-próprio do que as pessoas boazinhas.
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Outro dia defenderei a idéia de que você é também -
"também" não: principalmente
o seu dinheiro e que, portanto, não faz sentido a esquizofrenia expressa por "gosta do meu dinheiro, mas não de mim". É impossível separar a pessoa de suas circunstâncias. As circunstâncias são sobretudo as que o dinheiro pode adquirir ou as que propiciam a aquisição de dinheiro.
Já defendi.
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Mas continuo: quando a jovem viúva vil é a responsável pela própria viuvez, viuvez de um marido bem aquém dela mesma em beleza e em juventude, devemos entender a situação de uma maneira bem diferente da tradicional. A viúva não é malvada e o marido assassinado, a ingenuidade bondosa. Quem primeiro traiu foi justamente ele ao não cumprir os termos do contrato tácito. Ele gostaria de exibi-la em festas, causar inveja nos amigos e familiares, ao que ela não se opôs. Ela gostaria de ter amantes, o que é justo, pois o marido é velho e sexualmente frágil. Ele não gostou disso e ameaçou-a do modo mais terrível, através do dinheiro. Como ela ficaria sem as coisas que o dinheiro pode comprar, como amantes e cosméticos? Ela havia se casado com aquele homem vil e velho exatamente por isso. A mulher jovem do homem velho e rico é um investimento arriscado, pois das coisas que o dinheiro pode comprar é a única que quer comprar outras coisas. Não é como um carro, ora, um carro não quer comprar outros carros. Ele sabia disso. E sabia da obrigação moral de lhe dar dinheiro. Não pode ameaçar tomar-lhe o que existe de mais importante. Matá-lo foi apenas justiça retributiva.
Postado por Marcelo Rota em fevereiro 4, 2007 10:54 AM
Comentários
Você quer dizer Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves?
Abraço.
Postado por: Ed em fevereiro 4, 2007 11:16 AM
o verdadeiro cínico
Postado por: em fevereiro 4, 2007 1:18 PM