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julho 17, 2006

57. EXPERIMENTAL MUSIC LOVE

Experimento simples. Parecia uma boa forma de ficarmos juntos. Dividíamos um apartamento. O menor contato entre nossos corpos matava, por um tipo de combustão, as pessoas que amávamos.
Tempo, proximidade e impossibilidade não mudavam coisa alguma. O que eu sentia por você crescia livremente em meu corpo. Minha pele era o limite.
Meu pensamento sempre escapava pra você - Eu chorava. Notei que minhas lágrimas te mobilizavam. Expurgar meus sentimentos impróprios assim não era uma alternativa.
Tentavámos não nos olhar. Quando meus olhos enfim conseguiam parar nos seus, viam o mesmo tormento, contínuo e infinito. Depois descobrimos que nossas vozes eram um estímulo ainda maior. Paramos de falar.
Às vezes havia música, livros, filmes... nunca eu ou você e sempre a dor cortante e espasmódica que já era um desconforto familiar.
Num fim de tarde, enquanto tomavámos café, sentados à mesa, envolvidos no exercício cotidiano de desviar o olhar um do outro, uma colher cai no chão, displicentemente. Abaixamos pra pegar ao mesmo tempo, nossos olhares se cruzam, eu fecho os olhos - A pressão de seus lábios nos meus. Seu gosto, guardado no canto mais escuro de minha memória, toma todos os meus sentidos.
Acordo; meu quarto, minha cama, meu travesseiro - Odeio esses sonhos que tenho com você.

Postado por c. em julho 17, 2006 11:47 PM | 69LS

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