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junho 25, 2006

22. SWEET-LOVIN' MAN

O rádio confirma a previsão da meteorologia, uma hora de sol. Após um milhão de anos de chuvas incessantes a cidade presenciaria a hora inteira de céu azul.

Devido a minha longa pesquisa sobre o tempo, viajei dias em busca da observação do fenômeno. Cheguei ainda, felizmente, sob uma chuva calma, e melancólica como toda chuva calma.

-Dia.
-Dia.
-E essa chuva?
-No fim da tarde, parece.

Cidades que vivem sob o regime da chuva de um milhão de anos são conhecidas pela pouca loquacidade de seus habitantes. Sentei-me sob a chuva no banco da praça, vendo a diversidade de cores dos guarda-chuvas. “São a exótica flora local”, riu-se e sentou-se ao meu lado.

-Vim esconder-me, completou; e logo se principiou a primavera de uma hora. Era audível o som do de tudo sendo fecundado. Todos os mortos descansaram, alguns moribundos se foram, outros ficaram, doentes andaram, mulheres pariram e meninos se tornaram-se homens, e mais todas essa coisas que são lembradas quando se pensa em Vida. Mas eu não penso na vida, e do tempo só se diz que se diz dele quando não se tem o que dizer, e falando do tempo

Por alguma razão uma hora me pareceu o suficiente. “Esconder-se em praça pública?” “Claro. Você me dá cobertura.” E me deu uma piscadinha.

Postado por Marcelo Rota em junho 25, 2006 5:05 AM | 69LS

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