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junho 1, 2006
INFERIDO DE CAMPOS DE CARVALHO. CAMPOS E NÃO ORVALHO, OLAVO.
Amanhã vou viajar. As pessoas viajam não sei por quê. Na verdade sei, para que tenham a oportunidade e o risco de um acidente fatal longe do lugar onde moram e, muitas vezes, até nascem. Dar a última inspiração a menos de 1000 quilomêtros de onde se deu a primeira no mundo é a mais alta mediocridade alcançável. Todos, ou quase, temem mais isso do que a morte.
Por isso só a paixão pelo absurdo pode explicar o cadáver viajante, aquele que, tendo morrido em Sydney de cirrose, toma o vôo de volta para ser enterrado no jardim de casa em uma cidadezinha de Illinois. A ironia e a sorte destes cadávares voadores, além da de já estarem mortos e, portanto, não estarem nem aí para nada, é de compartilharem o destino de todos os cadáveres de avião, cair sobre a ilha de Lost, muito distante de casa e, agora para sempre, a sua casa.
Postado por Marcelo Rota em junho 1, 2006 2:51 AM