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abril 10, 2006
A FELICIDADE ODEIA O TÍMIDO
O tímido ama superfícies polidas, aquelas que refletem a luz que sobre elas incide, permitindo assim que ele, ao olhar para a direita, veja o que esta à esquerda. Não precisa nem ser um espelho tradicional. Melhor mesmo que não seja, pois espelhos refletem demais e têm, portanto, pouca discrição.
Os vidros de janelas no transporte público são ideais. Como os do metrô. No banco da frente, duas mulheres feias lixavam as unhas enquanto falavam sem parar. Coloque-me amarrado a uma cadeira, com pinças repuxando as pálpebras e, diante de mim, uma fileira de mulheres dentuças esculpindo suas unhas, que então eu confessarei tudo. Inclusive, a minha paixão por axilas. E que no metrô, a fim de desviar o olhar das teratoqueratinosas, olhei para a direita e vi, à esquerda, a linda midinette, camiseta preta e sem mangas, que levava as duas mãos atrás da cabeça para ajeitar os cabelos. Foi o que me salvou.
Postado por Marcelo Rota em abril 10, 2006 6:01 PM | antigo blogauti
Comentários
Eu me olho em tudo quanto reflete, na rua. Espelho, qualquer que seja; vidro de carro, de tudo. Se feitos à imagem e à semelhança, melhor prestar culto diário. Eis o caminho para a ascese, o caminho do ascetismo...
Postado por: the center of the world em abril 10, 2006 7:36 PM
Há metafísica bastante em andar de ônibus.
Postado por: Thiago em abril 10, 2006 10:57 PM