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abril 8, 2006

MAR VERMELHO

Já tive a oportunidade de ser carona de ambulância duas vezes. Quem estava atrás nas duas ocasiões era o meu pai. Da segunda delas lembro muito bem: noite de sexta-feira, sob uma chuva caudalosa. E de ter pensado, ao olhar para a expressão do sujeito com cara de mexicano que a pilotava, que dirigir ambulância deve dar uma sensação de poder. Pois, como Moisés no Mar Vermelho, o mexicano abria uma fissura no tráfego da cidade, através da qual passava soberano, Senhor das Leis do Trânsito. Mas depois me senti culpado por ter desviado a atenção do objetivo que havia me colocado naquela situação. E olhei para trás, para o meu pai.

Hoje, entretanto, sei que é difícil controlar o que se pensa. A mente flui, mas não como um rio, pois este tem margens e leito.

Postado por Marcelo Rota em abril 8, 2006 11:36 AM | antigo blogauti

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