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abril 8, 2006
GAVIOTA
I'm a seagull. No, that's wrong.
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Amo mamãe, sou um jovem escritor, meu pai morreu e ela casou-se com um escritor famoso. Amo mamãe. A plot for a short story. Ela nunca lê o que escrevo. E chupa o pau da Literatura Russa, do Grande Escritor. "Você é a maior esperança da Rússia", ela diz para ele sempre que ameaça abandoná-la. Então ele desiste. Mamãe é uma grande atriz.
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Nas festinhas literárias lá de casa ninguém me nota. Estou escrevendo um conto sobre isso: meu amor por mamãe e a inveja que sinto do Grande Escritor. No, that's wrong. It's a play. Só eu entendo por que "filho da puta", a ofensa exemplar, é sempre auto-referente. O amante de mamãe é um filho da puta, já lhe disse várias vezes. Mas quem come a minha mãe é ele e o filho, o filho sou eu.
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"Filho da puta", aprendam, é sempre auto-referente. Dirigir essa ofensa ao inimigo/competidor/objeto de inveja é projetar a raiva de um filho incestuoso contra um padrasto que ele sabe superior. O filho da puta é sempre quem xinga.
Postado por Marcelo Rota em abril 8, 2006 12:01 AM | notinhas para mimself
Comentários
Como diria aquele lá: you're not behaving like a tiger.
Postado por: guerreiro das trevas em abril 8, 2006 12:56 PM