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outubro 17, 2005
DISTOPIA 2457
Um mundo imaginário e impossível é o da anonimia universal. Ninguém tem nome, ninguém tem reputação, um mundo onde todo mundo é ninguém. Nenhum poderia orgulhar-se ou envergonhar-se de ser alguém ou de ter feito tal coisa, porque as ações, boas ou más, seriam inimputáveis, afinal, não há identidade.
No nosso mundo, de nomes e identidades, é curioso notar e anotar isso, então anotem:
A ação má deve ser feita com tal discrição que não se possa vinculá-la a seu autor. Assim, este pode, sem ser responsabilizado pelo dano causado, desfrutar dos benefícios obtidos pela ação danosa, como a honra e o poder.
As ações boas devem ser feitas com publicidade suficiente para que o autor goze da repercussão. E assim ter honra e poder.
Entretanto, se observamos alguém honrado e poderoso, como identificar a fonte de seu status, se o mal ou o bem? É da natureza do mal ocultar-se, assim como a do bem é publicar-se. O homem bom é discreto.
Voltemos ao slide do mundo da anonimia. Este aqui. Olhem bem. A boa ação neste caso seria realmente boa, já que ela não possui autor identificável. A ação má, também irresponsabilizável, poderia ser cometida sem medo de punição. Porém, vejam este gráfico. O mal no mundo de nomes é perpetrado para que se possa ganhar pontos de boa reputação. Ele elimina a pessoa e faz sumir o cadáver. Depois escova os dentes e dá um nó perfeito na gravata. A elegância, a metrossexualidade do Mal. Lembrem que a morte é um dândi auf ein Pferd. Na anonimia não há reputação, boa ou má, então o objetivo de se praticar o mal fica esvaziado e perdido.
Anotem. Na próxima aula mostrarei que, ainda assim, o mundo da anonimia é pior do que o nosso mundo.
Postado por Marcelo Rota em outubro 17, 2005 12:35 PM