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julho 26, 2005

O CANECÃO CARCOMIDO PELO CARCINOMA

Tenho um canecão de uns 1,5 litros que estampa a admoestação

PRESERVE THE POSSIBILITY

Ou estampAVA. Tenho saudades do dia em que ganhei o canecão, quando o mundo era claro e o futuro, negão.

O primeiro a desbotar foi o P de PRESERVE. Mas reservar a possibilidade ainda me pareceu bom e uplifting. Apesar de, admito, preservar soar melhor do que reservar, que sugere o trabalho de ligar para a companhia aérea.

Os cupins, enquanto isso, iam desfigurando a mesa de jacarandá da sala. As traças, a minha biblioteca. E não sei quanto mais de fumaça venal meus pulmões serão capazes de acumular antes da débâcle. Peguei da estante a Divina Comédia. Alguma operária dos escalões inferiores da litosfera fez ali um trabalho de arte. Um perfeito orifício, o diâmetro do cu de uma barata, que começa no Inferno e termina no Paraíso. Entretanto, não posso saber ao certo se ela seguiu a ordem de apresentação do livro ou inverteu-a. Ela pode ter iniciado no paraíso, passado pelo purgatório até sair pela cloaca do inferno. Incontáveis as letras digeridas durante a trajetória pela leitora onívora.

Hoje o canecão está assim:

SERVE THE OSSIBILITY.

***

If I were to wish for something, I would wish not for wealth or power but for the passion of possibility, for the eye, eternally young, eternally ardent that sees possibility everywhere. Pleasure disappoints; possibility does not. And what wine is so sparkling, so fragant, so intoxicating!

Postado por Marcelo Rota em julho 26, 2005 12:43 AM | não há nada além

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