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julho 25, 2005
RUFINO E CAROL
Certa vez o blobeiro Rufino, assim chamado em homenagem à poetisa Cora Coralina, cujo último sobrenome, e o único que não dá eco, é "Rufino", ainda que poucos saibam disso -
Certa vez Rufino escreveu um conto intitulado "O Professor". O professor era de física e gostava de contar piadas aos alunos. O tema mais freqüente das piadas, depois daquelas sobre professores e físicos, era o dos suicidas. Em uma das aulas disse aos alunos que, caso fossem degolar-se, por favor antes envolvessem a cabeça em um saco plástico fechado com hermetismo. "Se não fizerem isso, vai ficar a maior lambança", acrescentou. Todos riram.
No dia seguinte ao chegarem para a aula os alunos souberam. E a gente que leu o conto do Rufino soube antes dos alunos. Alguns, mais velozes, ao final do parágrafo anterior, outros, lentinhos, na primeira frase deste. Era previsível o dénouement surpreendente, apesar do próprio Rufino achá-lo apenas surpreendente.
É pobre o escritor que tenta surpreender seus leitores com um final previsível. Foi por ter afinal descoberto isso através do comentário deixado sobre o post "O Professor" por Carol, outra bobeira, que Rufino ensacou a cabeça e passou a navalha, tal como o professor de física do seu conto.
A notícia de Rufino escorreu por jornais e bobosfera. Carol escreveu no seu bode que achou tudo muito previsível. Carol, aliás, tem um namorado a quem sempre irrita com este comentário. "Previsível", diz sempre que ele tenta lhe causar algum divertimento, como na ocasião em que disse "Cara Carolina linda carolíngea". E ele se sente como se recebesse uma baforada do cigarro de Carol nos olhos e narinas, ainda que ela sempre sopre a fumaça para cima, os olhinhos fechados, educada e entediada.
Postado por Marcelo Rota em julho 25, 2005 9:09 AM | cigarro
Comentários
muito bom. >)
Postado por: adrian em julho 29, 2005 5:54 AM