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junho 11, 2005

DE NOVO A MORTE DE PESSOAS ESTRANHAS EM PAÍSES ESTRANHOS

Ao acordar, bem, despertar é sempre uma chegada ou uma partida, não é? De um mundo para outro em um trem intergalático. Só que, como acontece todos os dias, como quem vai e volta do trabalho de metrô, a perplexidade da viagem é anulada pela sua banalidade. Então, ninguém pensa em trens ou linhas de ônibus intergaláticas (que bobagem) para descrever a sensação de acordar.

Ao acordar tenho um desprezo gentil e embaçado pela vida humana. Leio bocejando o site de O Globo e a manchete "Ao menos 30 chineses morrem em incêndio". Nem me interessam as circunstâncias do incêndio. Só sei que leio o 'ao menos' como um ao menos em itálico. Ao menos trinta chineses morreram. E se tivessem sido trinta tigres brancos? Não sei quantos há, mas são poucos e, se tivessem morrido trinta, talvez até tivesse morrido o penúltimo da espécie. E então sobraria um triste tigre branco. Mas os chineses, pô!

Depois passa. Na verdade já passou enquanto escrevia este post. Agora, totalmente desperto, amo todo o povo da china e me sinto capaz de matar um tigre, branco e feroz, com a ponta afiada de um lápis Faber-Castell.

Postado por Marcelo Rota em junho 11, 2005 9:09 AM

Comentários

Falam do perigo vermelho mas esquecem que a China, apesar de ter bilhões de criaturas espectrais rondando o sono perturbado do Olavo de Carvalho, não é capaz nem de reunir 11 bons jogadores de futebol.

Postado por: Marcelo Rota em junho 11, 2005 9:12 AM

Por falar nisso, o Brasil também não.

Postado por: smart shade of blue em junho 11, 2005 9:23 AM

Mas tenhamos fé, vamos ver o que vem nas Olimpíadas.

Postado por: smart shade of blue em junho 11, 2005 9:23 AM

isso me lembra de quando o talibã, antes de virar hype, mandou destruir umas estátuas gigantes de buda, e o quanto isso me incomodou. Os enforcamntos públicos, a violência contras as mulheres e todos os outros sabores de opressão, nada disso me incomodou; mas estátua do buda é sacanagem.

Postado por: adrian em junho 11, 2005 9:25 PM

Quando se trata de Brasil tenho a Fé de Abraão no alto do Monte Moriá.

As pessoas no coletivo nunca importam, mas algumas poucas vezes importa o que elas fazem individualmente. Nestes casos raros aparecer um talibã desimportante para destruir algo importante que uma pessoa desimportante fez é macabro e me dá medo. Mas, as pessoas, pô! Há mais de seis bilhões delas sobre a litosfera.

Postado por: Marcelo Rota em junho 12, 2005 9:32 AM

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