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maio 10, 2005
O CORPO MOLE DO NEGÃO (PARA RAFAELA)
Ela tinha a certeza inconsciente de que todos os cadáveres eram eunucos. Ao entrar pela primeira vez no laboratório de anatomia, ainda não conhecia nem o dos vivos. Usava óculos a gordinha e seu sorriso era odontológico. Então sua atenção foi logo aprisionada pelo corpo mole, exatamente como a do homem que passa pela banca de jornal pelas revistas masculinas. "O cadáver não foi preparado direito", desculpou-se o professor para explicar o odor da secreção escrotal que, amarelada, quase se sobrepunha ao do formol.
Era um crioulo monumental que, se vivo, diríamos salubérrimo e custa mesmo a crer que tenha morrido. Quando o professor enluvado segurou o corpo mole, as calouras deram gritinhos e aplaudiram. Os calouros mudos olharam para elas, fetichizados. Apenas ela, fascinada pelo hipnotista, não reagiu. Virou uma estátua de ébano, símbolo da medicina da UNILAGOS.
Nota: Na verdade este post é para o Rafael, responsável pela consultoria técnica. Mas eu não ia dedicar um post que fala de falos mortos para um homem. Daí o "a" no final.
Postado por Marcelo Rota em maio 10, 2005 2:57 PM
Comentários
Lisonjeada e - de bochechas exibindo um rubor quase escarlate - confesso, excitada, agradeço.
Postado por: Rafaela em maio 10, 2005 6:57 PM
Lisonjeada e, - de bochechas exibindo um rubor quase escarlate - confesso, excitada, agradeço.
Postado por: Rafaela em maio 10, 2005 6:59 PM