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maio 10, 2005

A MANIA DE BOSTAR AO ACORDAR VIRA REDAÇÃO ESCOLAR

"Hoje eu quero que vocês escrevam uma redação com no mínimo x linhas sobre os seus avós".

Meu avô tinha um radinho de pilha vermelho e pesado como um tijolo no qual ouvia os jogos do Fluminense. Ele acordava agnosticamente as dez da manhã. Então até a meia-hora seguinte o banheiro era dele.

Uma vez fui morar com meu avô e levei meu computador, um 386 qualquer coisa com modem e BBS, o que multiplicou a conta telefônica do velhinho pelo número de Avogrado. Quando abria a porta do meu quarto era como o hominídeo que abre a portinhola da máquina do tempo na qual entrou sem querer. Até a barra de inserção do editor de textos a piscar fascinava.

Gosto de velhinhos assim, viajantes do tempo, do qual se aposentam quando se aposentam. Sentado na cadeira de balanço (que, na verdade, era uma poltrona) ao lado da janela viajava, não no tempo, o tempo é que viajava pela janela enquanto ele dava tchauzinho, feliz.

O que estraga os velhinhos de hoje é a terceira idade, os cursos para a terceira idade, os bailes para a terceira idade, o sexo na terceira idade, excursões a Petrópolis e a Ouro Preto, aulas de informática. Professora, não se fazem mais velhinhos como antigamente.

Postado por Marcelo Rota em maio 10, 2005 10:46 AM

Comentários

Conheço um desses velhinhos à risca, avô de um amigo. Mas já não se fazem mais como antigamente, isso é verdade.

Postado por: Elton em maio 10, 2005 11:08 AM

Os velhinhos de antigamente morreram todos. tsc.

Postado por: Marcelo Rota em maio 10, 2005 2:47 PM

Ah, mas faço questão de, quando ficar velho, nao morrer como os novos velhos.

Postado por: Marcelo Rota em maio 10, 2005 2:50 PM

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