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fevereiro 24, 2005
EU TENHO 31
Notei algo: quanto mais tempo fico sem escrever, menos vontade de escrever tenho e, portanto, mais tempo ainda fico sem escrever. Não é, então, como fumar e beber pepsi twist light, cujo tempo de privação só faz aumentar meu desejo de consumo. E, eu sei, pepsi twist light é muito viado porque tem muitas restrições. Não bebo coca-cola, bebo pepsi. Mas não pepsi, pepsi twist. Porém, não é só isso: pepsi, twist, light. Um modo de medir a maturidade (ou a velhice) é pelo número de restrições. Até a adolescência dormia de qualquer modo em qualquer lugar. Depois passou a dormir apenas deitado, depois somente na sua cama
com um travesseiro específico
com o ruído do ventilador
etc.
Estou neste caminho, cada vez preciso apor mais qualificações a tudo o que faço.
Postado por Marcelo Rota em fevereiro 24, 2005 10:28 AM
Comentários
Tenho percebido o mesmo, tanto na falta de vontade de escrever, tanto no consumo cada vez maior de marlboros light maço e pepsi twist light, e creio que a conclusão sobre a idade...bem, é a mesma também:)
Postado por: Juliana em fevereiro 24, 2005 2:58 PM
Ah, e ainda por cima é pepsi twist light com gelo e limão, o que seria uma pepsi duplo twist light on ice...o que por sua vez me lembra o salto daquela menina. E que já estou velha prá ginástica olímpica há muito tempo.
Postado por: Juliana em fevereiro 24, 2005 3:05 PM
Eu estou entrando nos estágios avançados desse processo. Será que começa aos 26 anos?
No meu caso há talvez um fator adicional. Tenho me dedicado a traduzir coisas interessantes. Isso me desestimula ainda mais a escrever porque (a) sinto que não vou conseguir escrever algo tão bom quanto aquilo que estou traduzindo e (b) portanto, é mais sensato dedicar meu tempo limitado a continuar traduzindo coisas boas que não consigo emular.
Às vezes penso em parar de escrever de uma vez e só retomar lá pelos 50 anos -- quando nas minhas perspectivas otimistas eu terei algo relevante a dizer. Mas é óbvio que quem se acostuma a ficar com a boca calada tanto tempo nunca mais terá a mínima vontade de abri-la.
E já estou preferindo Pepsi Twist. Acho que quando chegar aos 31 minha versão favorita será a Light.
Postado por: Fileleno em fevereiro 25, 2005 12:42 AM
Juliana,
Já não me sinto tão só por gostar de pepsi twist light que, aliás, nem sempre está disponível. Minha segunda opção é a coca-cola, mas também com restrições: light e lemon.
Intraparenteticamente acrescento que a coca-cola, ao contrário da pepsi, resolveu colocar o light na frente do limão. É porque se fosse "lemon light" ficaria redundante, já que coca-cola lemon só existe light. A combinatória da pepsi é mais complexa: tem só twist, só light e twist light. Parágrafo inútil.
Postado por: Marcelo Rota em fevereiro 25, 2005 2:07 PM
F'lip,
Há aquele livrinho do Rilke que adolescentes poetosos adoram ler. A massagem do livro é a de só escrever se for impossível viver sem escrever. É justamente assim que justifico o meu tabagismo. Como já tenho 31, poderia escrever "Cartas a um Jovem Fumante".
Postado por: Marcelo Rota em fevereiro 25, 2005 2:15 PM
Que ninguém conhecido leia este comentário, mas esse livrinho do Rilke é um porre. As cartas são muito chatas, apesar de a mensagem ser boa.
Postado por: DGR em fevereiro 25, 2005 2:40 PM
Nem da massagem gosto, DGR.
Postado por: Marcelo Rota em fevereiro 28, 2005 10:58 AM
Aos 17 ouvia Wagner, aos 18 ouvia jazz, hoje ouço surf-rock. Prefiro Coca sem limão e com pouco gelo, mas quanto à Pepsi prefiro Twist. Sem Daiane dos Santos.
Postado por: Mercuccio em fevereiro 28, 2005 12:00 PM
Eu sou do tempo da coca diet. Aliás, do lançamento da coca diet. Um dia tomei um copo de leite e logo depois um copo de coca diet. Indigestão imediata.
Hoje só mate leão, e daquele solúvel.
Tá, em último caso serve um iced tea qualquer.
Postado por: Mariana Cirne em março 2, 2005 4:00 AM
Eu não sou chegado em refrigerantes. Quer dizer, eu era, mas quando menor! Hoje não...
Vem cá... estava procurando um endereço de contato dos antigos colaboradores do site Fraude, particularmente quem escreveu o ótimo "entrevista com um papel higiênico". Fiz uma busca no Gogle e (parece que) você conhece o Eduardo Fernandes.
Procede a informação??
Postado por: Denilson em março 2, 2005 9:28 AM
Mariana, Oi. Como anda a vida aí em Emeroseland?
Oi, Denilson. Fico constrangido em dizer que não conheço o Eduardo Fernades. Pois parece ser alguém que eu deveria conhecer.
Mercuccio!
Postado por: Marcelo Rota em março 3, 2005 2:11 AM
Sort of grue, I must say.
Postado por: Mariana Cirne em março 10, 2005 4:32 AM