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janeiro 24, 2005
VINTE LINHAS POR DIA
Não consigo me obrigar -
Obrigar-me até consigo, só não consigo cumprir a obrigação. Mas, se fosse possível, escreveria sobre temas como o dos gelos saltadores. Posso não escrever vinte linhas todos os dias, mas, todos os dias, torço, em diversas ocasiões distribuídas entre manhã, tarde e noite, torço formas de gelo. E os cubos pulam. Uns para o chão da cozinha, outros para a pia. Estes eu utilizo, mas os outros despeço com um chute direcionado para o vão sob a máquina de lavar. Derretem e evaporam na penumbra, uma vida dissipada, uma vida perfeita.
O circo nasce do ócio. O Globo da Morte é aquele número no qual motociclistas circunavegam a parte interna de uma esfera. A quantidade de tédio necessária para o inventor do Globo da Morte ter concebido o número, será que ela é maior do que a dos motociclistas e esta maior do que a dos espectadores? Há tédio em todos os registros do circo, na audiência, na criação e na prática.
Alguns dos cubos saltam altura considerável e, se coordenar meus movimentos com precisão, talvez possa, enquanto seguro a forma com a esquerda, pegar um deles com a direita. Seria o meu número.
Postado por Marcelo Rota em janeiro 24, 2005 2:12 PM
Comentários
achei massa!
Postado por: eduardo em março 1, 2005 12:17 AM