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janeiro 12, 2005
ASKDASKDAKDASKDASK
Parece tão fácil para certas pessoas. Já tentei ler livros, muitos, mas nenhum promoveu este ponto de inflexão de que tantos desfrutam. A arte é superestimada.
Precisaria de um trauma craniano, como o de Borges ao dar cabeçada em uma quina qualquer. Giacometti foi atropelado e passou a ver o mundo com as cores trocadas, um mundo muito mais interessante do que o anterior. Ou, quem sabe, ouvir vozes. Joana D´Arc, Sócrates, Swedenborg, todos ouviam. Eu, entretanto, só disponho de uma, de balconistas e caixas: "Crédito ou débito?", perguntam-me todos os dias. Nenhuma, entretanto, interior, que me recrute para missão importante e divina, como no caso da Joana, ou que me proíba de tomar decisões erradas, como no de Sócrates. A não ser, claro, a do vulgar fluxo mental, polifonia indistinta e inútil. Pascal viu sob os pés um abismo, desmaiou e, quando acordou, tudo estava diferente. Eu vejo um cocô de cachorro e desvio.
Postado por Marcelo Rota em janeiro 12, 2005 5:48 AM
Comentários
Seu comportamento prático poderá desencantar um pouco a pessoa amada hoje, e o retorno da Discovery a Cabo Canaveral o tornará ainda mais reservado.
Não se aprofunde demais no seu eu interior, engane-se quanto aos seus verdadeiros sentimentos, mas não deixe de escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia.
Postado por: Zidane em agosto 10, 2005 8:26 PM