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janeiro 8, 2005

PELÍCULAS

Como o hímen da irmã rompido no linóleo da cozinha pelo amigo americano enquanto o irmão gêmeo dela faz ovos fritos.

Eu, como o Alexandre, vi The Dreamers do Berlusconi. Teria gostado do filme em geral, e não apenas das cenas _______, se os diálogos não fossem tão clichezentos. Teria perdoado os diálogos clichezentos se eles estivessem ali para mostrar a idiotia geral de uma década estúpida, no mês e lugar mais superestimados desta década, maio de 68, Paris.

Entretanto, é evidente que o personagem que no filme deveria representar a consciência crítica daqueles tempos e da debilidade mental dos irmãos, o americano, é só um pouco menos constrangedor do que o resto. Mesmo ele profere patetices típicas da época como "eles fazem violência, nós fazemos isso!". E dá um beijo na boca do irmão da moça do hímen, última tentativa de convencê-lo a não arremessar um coquetel molotov contra o pelotão de policiais.

***

E como Before Sunset. Mas deste eu gostei, apesar de Julie Delpy cantar muito mal. Talvez por isso mesmo. Ela também faz uma imitação ruim, mas perfeitamente graciosa, de Nina Simone.

A sinopse: nove anos depois do primeiro encontro, quando se apaixonaram enquanto deambulavam pelas ruas de Viena, o americano e a francesa encontram-se novamente, agora aos trinta e poucos, em Paris.

Meu gênero preferido: filmes talkativos. Ethan Hawke e Julie Delpy falam e falam enquanto andam pelas ruas de Paris. A decupagem é mínima. Não cronometrei, mas acho que às vezes o intervalo entre um corte e outro chegava perto dos dez minutos, uma fluvialidade perfeita para os diálogos. Talvez por isso o filme tenha conseguido sincronizar, coisa rara de acontecer, as minhas emoções com as das pessoas da tela. Sempre que Julie Delpy sorria, eu sorria. E o Ethan também.

Postado por Marcelo Rota em janeiro 8, 2005 12:59 PM

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