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dezembro 21, 2004

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Algumas contas são perfeitas. Um, dois, três, quatro elementos (clássicos): fogo, terra, água e ar. Um cômputo do qual não se pode subtrair nem somar nada. Mas é a ocasião perfeita para o surgimento da insatisfação do idiota que, para se sentir astuto, pergunta: "E o quinto elemento?". Nem grandes inteligências estão livres da insatisfação do idiota. Aristóteles, por exemplo.

Considerando insuficiente os quatros elementos da lista original de, acho, Empédocles, inventou um quinto, o éter, que, ao contrário dos outros quatro, seria eterno e incorruptível. E, pronto, fez-se um cristianismo inteiro, bêbado de éter.

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Os alunos de segundo grau, durante as aulas de química, certamente invejariam a parcimônia da tabela periódica dos gregos. Apenas quatro elementos e mais um, fictício, de bonificação.

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Cinco sentidos e, todavia, há muito mais do que apenas um filme com o Bruce Willis sobre o Sexto. O mesmo se aplica, aliás, aos quatro elementos. A quintessência é a Mila Jovovich. Pergunte ao Bruce Willis.

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São três as pessoas do discurso: uma que fala, uma para quem se fala, outra de quem se fala. A terceira pessoa é então a da maledicência e a da intriga. Cássio, o eu, fala para Brutus, você, a respeito dele, Júlio César. A história confirma: a terceira pessoa do discurso é sempre apunhalada. Não se entende a surpresa de Júlio César ao encontrar Brutus entre os conspiradores. A segunda pessoa é sempre o assassino. Et tu?... Claro que TU! Quem mais?

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"Mas e a quarta, hein?", pergunta o idiota insatisfeito. Uma maneira idiota de responder-lhe: "A quarta pessoa do discurso é Deus, para quem ninguém fala, mas reza. E Ele nunca responde."

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Ontem eu fui à praia. Mergulhei, peguei jacaré, pensei em Dorival Caymmi e em como o mar é estranho. Uma esfera para cada elemento: a litosfera para a terra, a atmo- para o ar, a pirosfera para o fogo e a hidrosfera, onde estava ontem. E, quando morrermos, iremos todos para a eterosfera, dizem os idiotas.

Mas é estranho ficar submerso no mar, o corpo cercado por mar, por oceano atlântico.

"Eu queria morar em um submarino, um U-boat, aqueles subs que os alemães tanto usaram na segunda guerra. Ser o capitão de um deles e tentar chegar à Itália passando pelo Estreito de Gibraltar, um gargalo infestado de destroyers britânicos."

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Eu gosto de morar em apenas quatro dimensões. Na verdade, não. Acho muito complicado equilibrar-me entre as três do espaço enquanto administro a do tempo. A teoria das cordas, entretanto, aquela teoria, sabe?, que se pretende teoria de tudo, pois então, falaram-me que supõe 11 (onze) dimensões. Fico com labirintite só de pensar. Se essa teoria for verdadeira, nunca mais vou ficar em pé.

Postado por Marcelo Rota em dezembro 21, 2004 12:44 PM

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