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dezembro 3, 2004
****Remarkable bird the norwegian blue, isn´t it? Beautiful plumage!****
Hobbes, Thomas Hobbes, tem uma teoria. Na verdade, várias. Só uma, entretanto, me interessa: a da gargalhada. A do Estado não, por favor. Esta é risível.
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A gargalhada origina-se da auto-congratulação de quem a emite por julgar-se em posição superior à do protagonista da situação ridícula que observa. Claro, é possível rir de si mesmo, desde que, todavia, em rememoração de um estado lamentável, e lamentavelmente ridículo, que não se vive mais. Expressa a um só tempo alívio,
"não sou eu quem está ali levando torta na cara",
e medo,
"poderia ter sido eu a escorregar na casca de banana".
Por isso a ocasião que propicia mais estímulos para a gargalhada é a da morte do outro, quando o medo é mais justificado e o alívio mais exultante.
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É uma teoria divertida, da qual se ri à socapa.
Sabe como rir à socapa? É assim ó: encobrindo a boca com uma das mãos, para tentar disfarçar. Se for preciso, enquanto esconde a boca, use o polegar e o indicador para tapar as narinas e, assim, sufocar a gargalhada, como fazem os que são assaltados pelo riso durante cerimônias funerárias. O importante é não mostrar os dentes. O que caracteriza juridicamente a gargalhada é a exposição dentária.
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Eis o paradoxo de rir da teoria da gargalhada de Hobbes. Pode-se rir por superioridade, por achá-la falsa, expressão de um pessimismo bufo e exagerado a respeito da natureza humana. Ou então por julgá-la verdadeira e admirar a argúcia e o engenho de sua análise do comportamento das pessoas: "Até o riso é amor-próprio, hahaha".
No primeiro caso, o de quem ri por superioridade, é evidente que, ao considerá-la falsa, terá que julgá-la verdadeira, já que ri exatamente da maneira como a teoria prevê que as pessoas riem. No segundo, o de quem acredita na teoria e vê em Hobbes um fino observador da human nature, é óbvio que esta pessoa está rindo de si mesma e, o que é mais notável, de um modo imprevisto pelo próprio Hobbes. Ela não se julga além do ridículo de que gargalha. Ao contrário, ri justamente por se ver inserida nele. Ora, se é assim, não deveria ter rido, pois a teoria então é falsa.
Portanto, se se quer evitar paradoxos, o melhor a fazer diante do esquete da teoria da gargalhada de Hobbes é não achar graça nenhuma.
Postado por Marcelo Rota em dezembro 3, 2004 1:01 PM
Comentários
tá... não li o post todo, mas fiquei curiosa em saber porque a teoria de hobbes - a do Estado - é risível?
Postado por: Mariana em dezembro 3, 2004 5:07 PM
Um link sobre o assunto, acho que já famoso:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2002/020924_lucasmendes.shtml
Postado por: Aires em dezembro 3, 2004 5:29 PM
Não conhecia, Aires. Obrigado.
Se em uma sala, todos riem menos um, este último, podemos afirmar com segurança, é a piada da qual todos os outros riem. Na segunda sala, só um ri, ri muito, lacrimeja e sufoca, enquanto isso os outros todos observam, um tanto perplexos. Ele era o louco da sala.
Quem ri sozinho é louco, quem é grave sozinho, piada.
Mariana, tudo bem? Um dia escrevo um outro post, três vezes mais extenso do que este, para mostrar o cômico no Leviatã. Talvez descreva-o emergindo da baía de Tóquio, pronto para o confronto final com Godzilla, símbolo da iniciativa privada.
Postado por: Marcelo Rota em dezembro 4, 2004 12:37 AM
Isso faz lembrar dos tempos de escola, dos rabinhos de papel que nunca percebíamos ou das tachinchas que, às vezes, rendiam boas risadas, porque todo mundo é filho de deus.
Postado por: Aires em dezembro 4, 2004 2:11 PM