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dezembro 2, 2004
ASPAS (REPOSTED AND RELOADED)
Era uma vez um homem que só falava entre aspas. Tudo o que o falava saía como se não fosse ele quem tivesse falado. Lá dentro da caixa craniana tudo era normal, belo, sólido e sincero. Todavia, seu discurso, ao ser despachado para o exterior, era invariavelmente interceptado por entidade maligna que lhe colocava no início e no fim os, não apenas "mal", mas pessimamente ditos sinais gráficos, agora apropriadamente sonorizados.
A gente bem sabe o que é escrever entre aspas, mas não imagina como seria falar. Um exemplo:
Ele está apaixonado e diz para ela
Eu te amo.
Ela não ouve
Eu te amo
Mas sim “eu te amo”. O que era amor inocente é recebido como uma ironia, uma miserável ironia, como se diante dela estivesse um ator representando o que ele diria se realmente a amasse.
"Ele não me ama", pensa. "Você não me ama", diz para ele. E chora. Desesperado, ele também chora. "Lágrimas de crocodilo!", ela grita.
Postado por Marcelo Rota em dezembro 2, 2004 1:28 PM
Comentários
Esse homem sou eu. Sou eu quando penso que não vão acreditar no que eu estou dizendo. Falo a verdade com boca de quem mente, e a verdade vira mentira. Quanto mais tentar consertar, pior.
Postado por: Carol Nogueira em dezembro 3, 2004 3:06 PM
Eu acredito em você, Carolina.
Postado por: Marcelo Rota em dezembro 4, 2004 12:38 AM