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novembro 17, 2004
DEZ ANOS SEM FEYERABEND
O Feyer é legal porque, além de ter um nome sonoro e escrito livros de filosofia da ciência divertidos, ficou impotente e, ainda assim, conseguiu convencer várias mulheres, sim, várias, a casarem-se com ele sucessivamente. E nem era rico.
"Sou impotente", dizia o Feuer, fogo-fátuo, sem viagra.
"Eu te amo", respondiam.
"Então tá."
***
Estive em uma universidade esta semana e vi o cartaz do colóquio, seminário ou whatever: "DEZ ANOS SEM FEYERABEND".
"Dez anos...Como sinto a sua falta!", suspira o organizador do evento.
Se ainda fosse a viúva. Mas nem. Um bando de professores de filosofia, com barbas platônicas e barrigas de monges glutões, saudosos de quem jamais conheceram a não ser por livros cuja exegese fazem e refazem. Mas os livros ainda estão aí, father in heaven.
Quero então que promovam o colóquio DOIS MIL E QUINHENTOS ANOS SEM PLATÃO. Ou o SAUDADES DE SÃO TOMÁS, A FALTA QUE KANT QUE ME FAZ, O VAZIO QUE KIERKEGAARD DEIXOU NO MEU PEITO, etc.
Os, aspas aspas, filósofos brasileiros formam uma congregação de viúvas, cada uma com o finado de sua predileção, cujo retrato trazem sempre, guardado com carinho, em suas bolsas do CNPq.
Postado por Marcelo Rota em novembro 17, 2004 8:40 PM
Comentários
"Dois mil e quinhentos anos sem Platão" - tô rindo até agora.
Tem que ter tb "Descartes Não Morreu", "Hegel 4Ever"...
Realmente, o tal do cartaz me fez sentir vergonha pelo jerico que teve a idéia.
Postado por: Mariana em novembro 17, 2004 8:49 PM
Hmmmm... se eu tivesse tempo, faria uma musica chamada "Recuerdos de Ortega y Gasset", ao som de "Recuerdos De Ypacarai".
Talvez faça qualquer hora.
Postado por: Garcia Rothbard em novembro 17, 2004 11:54 PM
Hummm... ouvi dizer de fonte praticamente fidedigna que, num desses encontros, um filósofo, professor de renomada instituição acadêmica, levantou-se e começou a declamar, numa espécie de catarse, o poema "Porquinho-da-Índia" de Manuel Bandeira, mas trocando porquinho-da-índia por feyerabend. Disse, ainda, minha fonte que, para seu espanto, todo o auditório aplaudiu quando ele, mui solene, concluiu a homenagem declarando que "- O meu Feyerabend foi minha primeira namorada."
Postado por: DPedra em novembro 18, 2004 1:36 AM
Espero não ter que presenciar nada parecido.
Postado por: DPedra em novembro 18, 2004 1:37 AM
Garcia, prefiro Recuerdos de la Alhambra.
Pedra, sim, eu também estava presente, o único que não aplaudiu.
Mariana, muito boas as sugestões. Acrescento mais uma: "AH, NIETZSCHE...".
Postado por: Marcelo Rota em novembro 18, 2004 1:48 PM
"Décadas sem Alcione Mazzeo", isto sim.
Postado por: smart shade of blue em novembro 18, 2004 3:09 PM
hahahahhahah tadinhos ó.. aposto qeu salvador dali me faz uma falta!!!!
Postado por: filósofa dos loucos em novembro 22, 2004 11:22 AM
depravados somos nos por pensar demais
Postado por: em novembro 22, 2004 11:25 AM