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novembro 6, 2004

Der Tod ist ein Dandy auf einem weißen Pferd

Achou que já era suficiente. Telefonou para as seis únicas pessoas que amava. Verdade que sobre duas ou três destas tinha dúvidas quanto à reciprocidade. Isto, entretanto, não lhe incomodava. "O cômputo preciso do amor é um cacho de bananas. Quero cada uma delas presente na minha festa."

Quando chegou, a primeira banana encontrou uma banheira no centro da sala. Ele dentro, o rosto encoberto pelo vapor d´água. Ao vê-la correu a lâmina pelo pulso esquerdo.

Logo foram chegando as outras bananas que, sem alarde, acomodavam-se nas almofadas dispostas ao redor da banheira. Um criado serviu-lhes vinho e canapés.

E agora foi a vez do direito. "É como abrir um zíper", disse. Pediu vinho ao criado que segurou a taça para que ele bebesse. "Se tiro da água dói", explicou olhando para as mãos submersas.

Conversaram a noite inteira. Sempre que alguém dizia algo que lhe despertava a loquacidade,

por exemplo, sobre qual seria a melhor maneira de ouvir A Arte da Fuga de Bach,

fazia um aceno de cabeça para o criado. Ele então estancava a torrente colocando-lhe duas pulseiras de látex.

Postado por Marcelo Rota em novembro 6, 2004 6:54 AM

Comentários

Um belo espetáculo, sem dúvida. Cristão e belo. O anfitrião entregue em sacrifício para deleite dos convidados.

Postado por: DPedra em novembro 6, 2004 6:49 AM

E benvindo de volta após a crise do palhaço.

Postado por: DPedra em novembro 6, 2004 6:54 AM

Eis a decadência do ocidente.

Postado por: Jorge Nobre em novembro 6, 2004 7:01 AM

noussa! e aí ele morre com bananas? gente.. que coisa é essa? vai virar um milk shake banana split? ok.. coment podre.. mas fazer oq se nao sou coerente?

Postado por: filosofa dos loucos em novembro 7, 2004 2:49 PM

Hum, bem, well, sei lá. Cheguei há pouco de viagem. Chuva e queda de barreiras na região serrana do Rio. Na linha vermelha, aves negras empoleiradas nos postes de iluminação. De vez em quando ouvia-se uma sirene, e então os carros se afastavam, como o mar vermelho para Moisés atravessá-lo, e viaturas policiais ultrapassavam-me.

Talvez a civilização venha decaindo desde que Adão escorreu em uma casca de banana.

Postado por: Marcelo Rota em novembro 8, 2004 11:59 AM

"Escorreu" não. -rregou.

Postado por: Marcelo Rota em novembro 8, 2004 3:33 PM

café da manhã com bananas?

Postado por: Elton em novembro 8, 2004 3:35 PM

Estou voltando hoje de algum lugar, não sei bem qual, talvez aquele onde ficam as pessoas ocupadas do mundo. E resolvi voltar com um comentário.

É, sim, acho que sou como o -

ou *estou*, sei lá

como o telefone de suporte de um provedor de acesso a internet ruim.

Ocupado, entendeu? Fiquei horas procurando uma metáfora.

Quando tinha alguns anos a menos, alguns não, muitos, eu acordava com banana amassada com leite ninho e açucar. Agora não faço mais isso: acho de profundo mal gosto amassar bananas. Comê-las então, três pontinhos.

Postado por: Marcelo Rota em novembro 14, 2004 3:17 PM

Desculpe o jeito, sei que é péssimo quando temos que explicar textos próprios (pelo menos para mim vemn a sensação de que não entenderam). Se sentir-se muito desconfortável, não precisa esclarecer se acabei interpretando errado. De qualquer forma, bons textos^^

É como se a simples companhia e atenção de pessoas que ele ama (importante ressaltar que não por dó) o fizeram perceber que momentos como este, que seria o último de sua vida, não precisam ser os últimos.

"o cálculo preciso do amor é um cacho de bananas"?
Obrigada. =o] Eu voltarei! [risada malígna ao fundo. Risos]

Postado por: Mariana em novembro 16, 2004 10:56 PM

"Der Tod ist ein Dandy auf einem weißen Pferd"?

o que quer dizer? e em que língua está?

Postado por: Mariana - de novo em novembro 16, 2004 10:58 PM

Mariana, a minha intenção ao escrever importa bem pouco. Não ligue para ela.

(Oi, Mariana)

A vergonha de explicar o que escrevo é ainda maior do que a de publicar.

A frase em alemão, contudo, traduzo: "A morte é um dandy sobre um cavalo branco".

E, sei lá, acho que os dândis morrem deste jeito aí do post. Ou deveriam. Mas a verdade é que nem sei se o sujeito em tela morreu mesmo.

Postado por: Marcelo Rota em novembro 17, 2004 2:39 AM

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