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outubro 29, 2004
A MORTE FELIZ
Ah, só hoje fiquei sabendo que o time do São Caetano vai entrar na próxima partida desfalcado de um dos seus zagueiros. Sofreu uma contusão grave durante o último jogo: morreu.
"É melhor morrer exercendo o seu ofício do que na aposentadoria," ouço alguém dizer. E com razão.
O escritor deve morrer escrevendo. Realmente, um deles, Piotr Vladimirovitch, morreu durante seu, óbvio, último romance. Enquanto vasculhava seu cérebro, destacando um batalhão de neurônios para este fim, atrás daquela danadinha, a môjuste, o aneurisma explodiu. E sabem qual era a palavra que ele procurava? "Coisa".
O engenheiro suicidou-se pulando da própria ponte.
O soldado, não preciso nem completar a frase.
O barbeiro foi navalhado pelo rival, dono da barbearia em frente.
O médico gauche, eletrocutado enquanto desfibrilava um paciente.
A atriz, Lady Macbeth, teve um AVC enquanto dizia
Come, you spirits
That tend on mortal thoughts, unsex me here,
And fill me from the crown to the toe top-full
Of direst cruelty! make thick my blood
O funcionário público morreu, ninguém jamais soube a causa, quando pendurava o paletó.
O anão morreu em um pub londrino, de traumatismo cranio-encefálico, arremessado contra a parede, durante um campeonato de dwarf throwing.
O scuba diver, vítima de ataque de tubarão.
O fumante, de câncer pulmonar.
O asceta, de fome e frio.
Porque basta morrer uma vez. Quem se aposenta morre duas.
Postado por Marcelo Rota em outubro 29, 2004 2:18 PM
Comentários
Aparentemente o jogo era de mata-mata.
Um capitão sempre afunda com sua piada velha.
Postado por: Ratapulgo em outubro 30, 2004 2:32 AM
notinha para mimself: evitar a piada da morte súbita
Postado por: Marcelo Rota em outubro 30, 2004 4:22 PM