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setembro 9, 2004
ADLASLASAL
A melhor resenha de um filme do Bergman é o sovaco da Liv Woman.

[ficou ruim: era o esquerdo que eu queria mostrar, mas a imagem saiu cortada. agora vocês vão ter que imaginar.]

[pronto: consegui uma redução. o ideal seria o "suvacão" mesmo. mas a vida não é feita só de aumentativos.]
[ah, sim: este é o filme de guerra do Bergman. quer dizer, é o casal de sempre, aquele em crise, só que agora eles estão no meio de uma guerra. Como será que o ser humano e, pior ainda, um casal, reage em circunstâncias extremas? Ó meu deus, o Max von Sydow, marido de Ullman, no início do filme é de uma pusilanimidade galinácea. A UL é a macha da casa. Depois, entretanto, as coisas se invertem, o Max torna-se sanguinário e a Lívida Mulher fica com peninha de todo mundo.]
[Mas ó, vou falar uma coisa procês: não, agora não. Eu vou dar uma saída, rumo a um destino para o qual já estou atrasado, e na volta atualizo isso aqui de novo.]
[Agora: o rosto é a mais difícil das paisagens. Sempre esqueço a conta dos músculos da face que, entretanto, nunca esqueço que são muitos e que, combinados, permitem um espectro galático de possibilidades, como a paleta de Rubens e a partitura de Beethoven. Tem que saber usar e orquestrar e reger. E o Bergman é muito bom em rostos.
Em uma das cenas o casal tem um primeiro encontro com o coronel local na sala deste. Depois que eles vão embora a gente espera um corte para outra cena, mas a câmera fica na sala junto com o coronel, até então personagem irrisório. Vai acontecer alguma coisa, quem sabe uma granada a estilhaçar a janela do coronel. Realmente acontece: ele distrai-se da leitura e faz uma cara discretamente estranha enquanto olha para o que poderia ser o nada, mas não é. Ele olha para o sovaco imaginado de Liv.
Com efeito, nas cenas seguintes já ficamos sabendo que ele comeu Liv por trás do Morte von Sydow, como bem disse o Mercuccio
De novo: Com efeito, nas cenas seguintes, com passagem de tempo, já ficamos sabendo que ele agora é amante de Liv. E que naquele momento de solidão na sua sala, enquanto imaginava sovacos almiscarados, deve ter pensado: "O marido é um poltrão. Essa vai ser fácil."
Postado por Marcelo Rota em setembro 9, 2004 4:29 PM
Comentários
O sovaco da Liv! A quintessência! O âmago de todas as coisas!
Oh, céus.
Postado por: Mercuccio em setembro 9, 2004 4:36 PM
Como aquela persona pôde bater na dona desse sovaco?
Por que o Morte von Sydow não impediu a surra?
Postado por: Mercuccio, aos gritos e sussurros em setembro 9, 2004 4:48 PM
O sovaco da Liv é um portal transdimensional e quem já passou por ele diz que sabe a absinto.
Postado por: Marcelo Rota em setembro 9, 2004 6:32 PM