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agosto 7, 2004
MAIS QUALIDADE PELO MELHOR PREÇO
Isto aí está na embalagem dos SALDADINHOS DE PIMENTA da Sendas, indústria brasileira, peso líquido 90 g e tal. Além disso, comprei no supermercado o que chamam por aí de Zeca Pimenteira. Quer dizer, não sei bem se é esse o nome, mas foi o que meus ouvidos meio surdos em botânica ouviram de alguém. Vem em um vaso preto de plástico, são pimentas ornamentais e, se regá-las todos os dias, brotam em frutinhas vermelhas.
Um amigo certa vez me disse que desistiu do seu blog (e era um blog de muito sucesso) porque o via como uma plantinha da qual todo dia precisava cuidar. Pois então: a minha Zeca Pimenteira é como um blog.
Com os salgadinhos de pimenta é assim também, precisam de líquido. No meu caso, sua ingestão é alternada com a de coca-cola.
Eis o princípio ético, universal e incondicionado, tão buscado por filósofos, já há muito sabido por destemidos publicitários: mais qualidade pelo melhor preço. O que mais o outro pode esperar de nós na nossa relação com ele?
Santo Agostinho conta nas Confissões que roubava jambo da árvore do vizinho -
não lembro se era mesmo jambo, mas digamos que seja...
roubava mesmo sabendo que no seu próprio quintal havia um jambeiro ainda mais opulento. Roubava por capricho. Eu como salgadinhos de pimenta não porque sejam bons, mas porque ardem no céu da boca e então a coca-cola fica melhor. Os pecadores talvez o sejam apenas pelo prazer da confissão e contrição subseqüentes. O Cristianismo firmou suas bases no mundo por causa deste mecanismo presente na psicologia dos homens. O Brasil, descoberto porque portugueses queriam chegar às Índias, onde então comprariam pimenta-do-reino para vendê-la mais caro a europeus ávidos por uma degustação ardida. A vida é vasta e linda em sua mesquinharia.
Postado por Marcelo Rota em agosto 7, 2004 10:39 AM