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agosto 4, 2004
EU GOSTO DESTE PERÍODO
"The immensity didn't include them; but if he had an idea at the back of his head she had also one in a recess as deep, and for a time, while they sat together, there was an extraordinary mute passage between her vision of this vision of his, and her vision of his vision of her vision."
Vocês não? Sim, há um rococó lógico. Entretanto, vê-se que é exato e justo. Há uma metareciprocidade confusa e fervilhante entre as pessoas. Eu olho para ela olhando para mim olhando para ela. Silêncios infinitos em menos de um segundo.
Falando em silêncios, nada há pior para um escritor do que o inefável, ou melhor, do que a declaração de inefabilidade. Se em algum parágrafo descritivo no início de um livro encontrar algo como "sensação indefinível", "movimento imperceptível", "palavras são insuficientes para", fecho e jogo fora. Se for no final e, até então estivesse adorando, inverto a opinião, fecho e jogo fora. "Não tenho palavras" é coisa de testimonial do Orkut.
Os piores silêncios são descritíveis. O inefável não existe. akldjalkajlkadjalkdjas.
Postado por Marcelo Rota em agosto 4, 2004 12:22 AM
Comentários
Pior do que nos testimonials é quando a pessoa diz não ter palavras para se descrever. Acho que esses deveriam ser reportados como bogus. Mas inefável é uma palavra bonita, parece uma coisa macia, como um cobertor, ou um bichinho. Gosto de palavras que são táteis.
Postado por: Juliana em agosto 4, 2004 11:03 AM
Juliana, a sinestésica. :)
Posso dar um chute filológico? Vou dar... Eu gosto das que terminam em "ável" e acho que das neolatinas o português foi a única que transformou o "abilis" do latim nesta terminação adorável, formidável e afável.
Postado por: Marcelo Rota em agosto 4, 2004 1:34 PM
qm escreveu o período?
Postado por: asdasdas em agosto 4, 2004 11:34 PM
Henry James
Postado por: Marcelo Rota em agosto 5, 2004 6:15 AM