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agosto 1, 2004

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Eu fico preocupado com os meus óculos quando sei que, segundos antes de dormir, larguei-os no chão ao lado da cama, onde podem sofrer pisões horríveis. Os óculos são parte do corpo de quem os usa, mas, como são parte destacável, quando estão fora fico tenso e preocupado como me preocuparia com minha mão esquerda, se ela saísse para comprar cigarros. Sim, um mundo maravilhoso este em que nossas mãos, do corpo destacáveis mas fiéis, fazem-nos favores na rua, onde encontram outras mãos, de outras pessoas, e as cumprimentam com um aperto e flertam, esquecem do tempo, da missão para a qual haviam sido destacadas, ficam namorando em algum corrimão

Bom, mas é isso, sonho preocupado com os óculos quando sei que antes de adormecer não lhes assegurei local protegido. Esta é a razão de ocasionalmente preferir dormir com eles no rosto. Os sonhos são mais claros e coerentes assim.

Postado por Marcelo Rota em agosto 1, 2004 12:24 PM

Comentários

Uh, sim, sim. Eu tenho mania de largar os óculos no chao, mas é um perigo. Já pisei neles umas duas vezes, até.

Mas como eu não sonho, não preciso deles durante o sono. O que voce sonha quando dorme sem oculos?

Postado por: Olivia em agosto 1, 2004 3:38 PM

Várias coisas, temas e filmes, mas em todos o protagonista, eu, está de óculos. Sim, mesmo quando o sonhador, também eu, está sem.


Postado por: Marcelo Rota em agosto 1, 2004 7:59 PM

Ou deixá-los sobre a própria cama, inconsequentemente, pra uma sonequinha. É claro que, conforme o sono vai ficando pesado, acabo rolando sobre eles. Armação desgraçadamente frágil, essa de arame. Meus melhores óculos - armação de plástico preto vagabundo, lentes de acrílico, anos e anos de uso - perdi no mar, à noite, bêbado. Cinco graus de miopia em cada olho.
Não são parte de mim. Não sei o que é parte de mim realmente - cortassem minhas mãos fora, eu continuaria sendo alguma coisa. Alguma coisa diferente. Se cortassem minha cabeça, não sei.

Postado por: marquito em agosto 2, 2004 12:13 PM

O raio de ação de nossas mãos, como ficam perpetuamente atarrachadas ao corpo, é muito limitado. No futuro, telemãos, quer dizer, mãos que os cérebros controlarão a distância.

No futuro, este um pouco mais próximo, cirurgia para correção de miopia. A ultima vez que verifiquei, cada olho saía por mil reais. É bom que tenhamos apenas dois.

Quando solto a calopsita que vive conosco, o Barbosa, tenho depois muita dificuldade para capturá-lo. Barbosa também possui só dois olhos. Porém, como ficam localizados no que para nós seriam as têmporas, vêem muito mais. Acima, abaixo, atrás, na frente e nos lados, não importa de onde o aborde sempre me verá, e voará antes.

Postado por: Marcelo Rota em agosto 2, 2004 2:06 PM

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