« ENLACE ESPANHOL | Principal | RETOMADA DO INTERROMPIDO NO ANTERIOR »

junho 29, 2004

ARGUMENT CLINIC

O César imagina ateus agraciados, encostados em algum canto da eternidade, aquele reservado para os de sua espécie, crentes que existe uma explicação científica para estarem ali. É que o César é um homem bom, mas eu, se fosse teísta, seria vingativo e imaginaria os ateus todos danados, putos da vida e da morte, eternamente de dentes trincados entre labaredas.

E se fosse ateu, o que na verdade acaba sendo o caso na maior parte do tempo, não imaginaria, mas observaria a putrefação do corpo dos que crêem na alma. Este gênero de observação é sempre obsceno no seu contraste, algo como ver o asceta empanturrando-se em churrascaria rodízio. Só não me permito imaginá-los decepcionados ao não encontrarem, ou melhor, ao encontrarem nada depois do túmulo, por razões óbvias.

No cômputo geral, o ateu fica mesmo em desvantagem, já que tudo é uma partida de futebol e, caso o seu time saia derrotado, ele vai ser sacaneado pela torcida do adversário na saída do estádio. Entretanto, em caso de vitória da sua equipa, ele, ateu, não vai poder fazer nada. Além do mais, ateus são torcida do América, cabem em uma van, daquelas que fazem o trajeto Centro-Barra. Caso a van saia da pista da Av. Niemeyer, que, aliás, é ateu e mora naquela área, e tome o rumo do oceano Atlântico, bom, desisti do período, ficou longo demais, melhor interrompê-lo agora, como aqueles esquetes do Monty Python que, por serem "too silly", seus personagens abandonavam a gravação. O post do César, ao contrário, é conciso e bem melhor.

Talvez o materialista encontre algum consolo na efervescência de vida que sobrevém mesmo à morte: aquela bicharia toda a roer a carne cadavérica, como um sal de fruta na água. É lindo, é a vida depois da morte!, dirá o ateu. Ao menos o otimista, modalidade muito mais penosa e rara do que a do otimismo crente e do ateísmo pessimista.

Os mórmons, àquelas questões de achados-e-perdidos, de onde vim, para onde vou, você sabe, respondem algo do tipo: você, antes de nascer, já existia, apenas ainda não possuía o seu corpo físico, vivendo apenas no do espírito com o seu Heavenly Father. Entretanto, o Pai Celestial achou por bem enviá-lo ao mundo para que aprendesse mais, longe Dele, como a mãe guepardo abandona, depois de uma certa idade, seus filhotes na savana. E depois, deste período terreno de aprendizagem, seu corpo físico morre e seu espírito volta para as bancas escolares celestiais a fim de continuar sua jornada de aprendizado. Depois de mais algum tempo após a morte seu corpo irá novamente unir-se à alma. O nome disto é ressurreição, cuja possibilidade foi comprovada pela de Jesus Cristo.

Postado por Marcelo Rota em junho 29, 2004 3:26 PM | não há nada além

Comentários

Oh, ceus, os mormons. ;)

Tá, hoje eu não tenho nenhum comentario inteligente. Pode ser um aleatorio mesmo? Então tá. Amanhã eu volto.

Minha tendinite melhorou. Viva!

Postado por: Olivia em junho 30, 2004 1:11 AM

Olivia paroxítona, já notou que ´paroxítona´ é proparo-? E que ´proparoxítona´ é ela mesma proparo-? Sei lá, só um comentário aleatório.

Fiquei feliz com a melhora da tendinite.

Postado por: Marcelo Rota em junho 30, 2004 1:50 AM

E coloque acento nos mórmons, senão eles ficam zangados. Como você, eles são paroxítonas. Dois já me ligaram lá de Utah reclamando deste seu lapso.

Postado por: Marcelo Rota em junho 30, 2004 1:53 AM

Ops. Mania de falta de acento. Meu nome não tem acento, vê, apesar de ser falado como se tivesse. Porque o acento estraga todo o balanço do nome, entendeu?

Olívia <-- olha só fica feio, sem balanço estético. Minha mãe é formada em Artes Plasticas, sacou?

Mórmons.

Viu? Peça que aceitem minhas desculpas. Ofereça algumas castanhas de caju. Não tem Mendorato, mas eles não precisam saber disso.

Postado por: Olivia em junho 30, 2004 1:59 AM

Você não é paroxítona... Primeiro não tem acento, depois não é paroxítona, apesar de ser sem acento. Aliás, olha como ´alias´ fica feia sem acento. Tudo bem, o pingo do ´i´ tem lá o seu charme e veneno, mas ´Olívia´ já tem um ´i´ com pingo. Deixemos o outro com acento.

Todavia, entendo a sua mãe. Se um fica com pingo e o outro com acento agudo, perde-se a simetria. Fica como uma pessoa vesga. Diga a sua mãe que a compreendo perfeitamente.

Postado por: Marcelo Rota em junho 30, 2004 2:12 AM

Os mórmons aceitaram sua retratação e agradeceram a deferência do acento.

Postado por: Marcelo Rota em junho 30, 2004 2:14 AM

O aniversario da minha mãe é nessa sexta. Voce nao ia querer contrariar justo agora, né?

Que bom, que bom.

Vou te contar um segredo. Meu nome é registrado com acento. Mas eu escrevo sem. Foi erro dos caras lá, do registro, com essa mania de escrever certo justo o nome que era pra escrever errado. Mas tudo bem, que RG nao tem acento e eu engano todo mundo.

Postado por: Olivia em junho 30, 2004 2:18 AM

Muitas revelações. Primeiro, não tem acento, segundo, não é paroxítona, terceiro, é, entretanto, acentuadíssima na certidão de nascimento. Instrua seus filhos, netos e bisnetos (e também trinetos, porque sei que você será longeva) a que lembrem aos responsáveis pela de óbito que ela não deve ser como a de nascimento.

Parabéns para a sua mãe. Mande um beijo com um acento respeitoso para ela.

Céus, qual será a próxima revelação? Holivia?

Postado por: Marcelo Rota em junho 30, 2004 2:26 AM

Faça um comentário










Lembrar de você mais tarde?