« ASDASLDADALS | Principal | ENLACE ESPANHOL »

junho 28, 2004

OS MICRO-, NÃO

Algumas coisas eu não sei, algumas não, muitas coisas não sei descrever. Por exemplo, quando, andando na rua com a minha filha, o seu indicador da mão entrelaçada à minha fica batucando levemente nas costas da minha mão.

Passeando, mãos dadas com a minha filha, o indicador da sua esquerda percute leve e repetidamente nas costas da minha. Talvez ela esteja marcando o ritmo de uma música que passa na sua mente.

A mão da filha busca a do pai para atravessar a rua. Enquanto caminham para a calçada, ela batuca com polegar, de modo suave, no artelho do indicador dele, como um funcionário público, por tédio, usaria o tampo da sua mesa como instrumento percussivo.

Quando a minha filha anda na rua comigo e, no compasso de alguma música mental, tamborila com os dedos nas costas da minha mão entretecida à sua, estes toques sempre fazem com que me sinta bem. Ganho um sentido de importância, mais do que a do chefe de estado saudado por trompetes e tímpano ao chegar ao local da cerimônia.

Andando de mãos dadas com a filha, assobia uma das melodias de Petruchka, feliz. Enquanto isso, ela, sem perceber, marca o compasso com o seu dedinho a percurtir nas costas da mão dele.

Crianças são distraídas. Recomendável aos pais dar-lhes a mão para cruzar a avenida. O sinal fecha e a menina de uns seis ou sete, enquanto caminha para o outro lado, vai dando toquezinhos com o polegar nas costas da mão de quem suponho ser seu pai. Apenas pela maneira como ela os dá, a atençao dispersa, quem sabe a reproduzir externamente a musiquinha, insuportável como todas as infantis, que toca na sua consciência. Apenas pelos toquezinhos é que faço a suposição de paternidade.

É fácil descrever estes grandes acontecimentos, como acidentes automobilísticos, ou a enxurrada carregando uma vaca malhada que minutos antes estava sobre o telhado da casa que ruiria. Os micro-, não.

Postado por Marcelo Rota em junho 28, 2004 2:10 PM

Comentários

:)
Legal, botou um sorriso no meu rosto antes de ir no banco pagar conta atrasada.

Tá, deixa eu ir lá antes que o banco feche.

Postado por: Olivia em junho 28, 2004 2:09 PM

"de quem suponho ser seu pai" foi líndjo. :)

Postado por: Jules em junho 28, 2004 2:55 PM

Faça um comentário










Lembrar de você mais tarde?