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junho 19, 2004
D. ANDRÔMEDA
Hoje tive a morte a me seguir. Não a minha, a de outra pessoa. Liguei para a tia Antônia para perguntar-lhe se iria hoje à festa da minha irmã aniversariante. Meu interesse era o de uma carona. Mas:
"Não, não posso porque a D. Henriqueta está no hospital, acho que vou ter que ir lá..."
Henriqueta, diga-se entre parêntesis, é a mãe do ex-marido dela, alguém que certamente devo ter encontrado em natais em família de um passado mais remoto no tempo do que uma das estrelas de Andrômeda no espaço. Mais fácil lembrar da cara de um transeunte anódino com quem tenha cruzado hoje andando por Copacabana do que da de D. Henriqueta.
Depois telefonei para outra pessoa, o Carlos, cuja primeira ex-esposa é irmã do ex-marido da tia Antônia, para tratar de assunto diverso, combinar de almoçarmos amanhã. Enquanto conversávamos através do fixo, pude ouvir o toque do celular dele.
"Espera só um minutinho, Marcelo".
O transeunte anódino deve estar vivo, mas, se morresse, não alteraria a minha agenda.
Marcelo Rota
Pai do Marcelo Rota
Irmã do pai do Marcelo Rota
Ex-marido da irmã do pai...
E aí eu chego em D. Henriqueta, cuja morte só soube hoje por acaso, como poderia ter inadvertidamente pisado no cocô do seu cachorro, se você tiver um e passear com ele por estas cercanias.
D. Henriqueta, também conhecida como "a mãe do ex-marido da irmã do meu pai", o primeiro telefonema, ainda na UTI de hospital qualquer, ou "a mãe da primeira ex-mulher do Carlos com quem eu iria encontrar amanhã", o segundo telefonema, minha última ligação indireta com ela.
Postado por Marcelo Rota em junho 19, 2004 1:27 PM
Comentários
Eu queria poder dizer alguma coisa. Mas com essa historia de primeira ex-esposa é irmã do ex-marido da tia Antônia e etc e tal eu fiquei extremamente confusa.
Heh. Meus neuronios saíram prum passeio no parque a luz das estrelas.
Postado por: Olivia em junho 21, 2004 2:12 AM
Bom saber, Olivia. Eu tenho este problema, sabe? Tenho tanto medo de explicar demais, que acabo explicando de menos.
Estas relações de parentesco, do gênero "fulano é sobrinho do primo da minha ex-cunhada", são sequências nauseantes de raciocínio.
Acho que este post aí falhou. Deveria ter arrumado um outro modo de expressá-lo.
Postado por: Marcelo Rota em junho 21, 2004 11:55 AM