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junho 12, 2004

ASTEÍSMO E OS USOS FANTASMAIS DA LINGUAGEM

Jamais abre mão de colocar entre si próprio e a realidade a película impermeável, aquela conhecida como ´ironia´. Não, na verdade não é película, é um abantesma de si mesmo, algo como um duplo a que os outros, os interlocutores, destinam suas palavras e às vezes socos. Ele ri quando o golpe atravessa o holograma e se choca contra o muro.

Em algumas ocasiões, - por exemplo, quando quer conversar algo sério com sua esposa - pressiona o botão, um dos duplos some e o que restou diz: “Este sou eu”. Ela o abraça, porém seus braços envolvem apenas o ar. Já irritada, sente dois toques no ombro direito, mas, quando se vira para aquele lado, ele está no oposto, dizendo: “Desculpe...”

Postado por Marcelo Rota em junho 12, 2004 5:21 PM

Comentários

Ei, welcome to the club. Um abraço.

Postado por: Ruy em junho 12, 2004 7:17 PM

Obrigado, Ruy.

(Já ouviu "Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme" com o Reginaldo Rossi?)

Postado por: Marcelo Rota em junho 12, 2004 9:22 PM

(Claro que já. De Rossi, the King, aprecio algumas coisas mais underground, como a versão dele para "Les Daltons", do Joe Dassin. É a sublime "Tô Doidão". Um dia farei com que você a conheça. :))

Postado por: Ruy em junho 12, 2004 10:30 PM

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